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    Servidões -

    Herberto Helder

    Assírio e Alvim
    2013
    127 páginas
    4h 14m
    ISBN-13: 9789723716962
    Português
    3.9
    7 avaliações
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    Favoritos1Desejados9Avaliaram7

    Publicado em 2013 com grande sucesso — a edição esgotou em poucos dias — este livro foi unanimemente considerado pela crítica como o livro do ano. Dele escreveu Luís Miguel Queirós, dizendo que desde logo aquilo que impressiona o leitor «[…] é a assustadora criatividade de que Herberto dá provas aos 80 anos, mas não é menos notável que estes seus últimos livros, com tudo o que trazem de novo, e por vezes até de exuberantemente novo, nem por isso deixem de manter com a sua obra anterior uma coerência sem falhas.». Rosa Maria Martelo disse que «Nestes tempos de descalabro social e político, haver um novo livro de Herberto Helder é um rompimento que apetece celebrar. E que impressiona por muitas razões — desde logo pela coragem de olhar a morte.». O semanário Expresso descreveu «Servidões» como um «livro de uma beleza convulsa, atravessado por explosões de energia visceral. É poesia "em estado de milagre", escrita pelo maior poeta português vivo.»

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    Resenhas (1)Ver mais
    h. oliveira picture
    h. oliveira08/09/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Interessante como há poetas desconhecidos que sejam merecedores de serem lidos, e outros tantos tão famosos e lidos que deveriam não serem nem lembrados. Mal sabia quem era Herberto Helder, por acaso baixei este livro, o mundo europeu mais contemporâneo é um pouco desconhecido das Américas, somos colonizados pelos EUA, isto é fato, e desvinculamo-nos de Portugal e, dos outros países de língua portuguesa mais ainda. A editora Assírio e Alvim tem em seu catálogo sempre coisas genias e que eu ao descobri-las me adentro num mundo que tinha saído, principalmente nestes malditos poetas, nestes negadoras da civilização e causadores do mal-estar entre os homens, principalmente naqueles que os admiram, Helberto Helder, com suas palavras e atos foi destes. Os poemas contidos neste livro dialogam com o mundo contemporâneo mais atual, mas não só, dialogam com outros poetas, desde Dante até Rimbaud, e há claramente uma erudição e alto conhecimento do autor pela literatura e uma critica mordaz ao que chamamos construção da civilização, como ele bem pondera acerca da religião, desde a destruição do conhecimento por demais tipos de povos, como que houve com Alexandria, até mesmo ao que a religião impregna acerca da recompensa após a morte. Deixo aqui um dos poemas que mais me chamou a atenção, deveras ao seu final escrachado! " daqui a uns tempos acho que vou arvoar através dos temas ar e fogo, a mim já me foram contando umas histórias que me deixaram meio louco furioso: um bando de bêbados entrou num velório e pôs-se à bofetada no morto, e riram-se todos muitíssimo, que lavre então a loucura, disse eu, e toda a gente se ria, até a família, tudo tão contra a criatura ali parada em tudo, equânime, nenhuma, contudo, bem, talvez, quem sabe? talvez se lhe devesse a honra de uma pergunta imóvel, uma nova inclinação de cabeça — à bofetada! — fiquei passado mas, pensando durante duas insónias seguidas,pedi: metam-me, mal comece a arvoar, directo, roupas e tudo, no fogo, e quem sabe? talvez assim as mãos violentas se não atrevam por causa da abrasadura, porém enquanto vim por aqui linhas abaixo: ora, estou-me nas tintas: pior que apanhar bofetadas depois de morto é apanhá-las vivo ainda, e se me entram portas adentro! ¿Eli, Eli? um tipo de oitentas está fodido, morto ou vivo, e os truques: não batam mais no velhinho, olhem que eu chamo a polícia, etc. — já não faíscam nas abóbadas do mundo: vou comprar uma pistola, ou mato-os a eles ou mato-me a mim mesmo, para resgatar uns poemas que tenho ali na gaveta, nunca pensei viver tanto, e sempre e tanto no meio de medos e pesadelos e poemas inacabados,e sem ter lido todos os livros que, de intuição, teria lido e relido, e treslido num alumbramento, e é pior que bofetadas, vivo ou morto, pior que o mundo, e o pior de tudo é mesmo não ter escrito o poema soberbo acerca do fim da inocência, da aguda urgência do mal: em todos os sítios de todos os dias pela idade fora como uma ferida, arvoar para o nada de nada se faz favor, e muito, e o mais depressa impossível, e com menos anos, mais nu, mais lavado de biografia e de estudos da puta que os pariu "

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    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas29%
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    Herberto Helder profile picture

    Herberto Helder

    Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo trabalhado em Lisboa como jornalista, bibliotecário, tradutor e apresentador de programas de rádio. Viajou por diversos países da Europa realizando trabalhos corriqueiros, sem nenhuma relação com a literatura e foi redactor da revista Notícia em Luanda, Angola, em 1971, onde sofreu um acidente grave. É considerado um dos mais originais poetas vivos de língua portuguesa. É uma figura misantropa, e em torno de si paira uma atmosfera algo misteriosa uma vez que recusa prémios e se nega a dar entrevistas. Em 1994 foi o vencedor do Prémio Pessoa que recusou. É pai do jornalista Daniel Oliveira. A sua escrita começou por se situar no âmbito de um surrealismo tardio. Escreveu "Os Passos em Volta", um livro que através de vários contos, sugere as viagens deambulatórias de uma personagem por entre cidades e quotidianos, colocando ao mesmo tempo incertezas acerca da identidade própria de cada ser humano (ficção); "Photomaton e Vox", é uma colectânea de ensaios e textos e também de vários poemas. "Poesia Toda" é o título de uma antologia pessoal dos seus livros de poesia que tem sido depurada ao longo dos anos. Na edição de 2004 foram retiradas da recolha suas traduções. Alguns dos seus livros desapareceram das mais recentes edições da Poesia Toda, rebatizada Ofício Cantante, nomeadamente Vocação Animal e Cobra. A crítica literária aproxima sua linguagem poética do universo da Alquimia, da mística, da Mitologia edipiana e da Imago da Mãe.

    26 Livros
    33 Seguidores
    Ilha da Madeira, Portugal

    Herberto Helder