Vinte e cinco anos se passaram da primeira edição deste livro, cuja escrita por assim dizer “automática” foi uma experiência que marcou profundamente o modo como passei a encarar o ato de escrever. Minha experiência com o desenho a nankim e sua diluição em água, para alcançar tons translúcidos a partir do negro puro e intenso, naqueles idos, já me remetia à arquitetura surrealista de reconstrução do mundo pela arte. E eu me sentia bastante confortável com os oxímoros e paradoxos levados às últimas consequências no texto literário, com uma certa lassidão (não descaso) na periferia do sentido da palavra – na busca de uma nova musicalidade na poesia... que evoluísse do denso até o diluído da significação, ainda que fosse preciso perder o sentido essencial para revelar só o vocábulo, o que às vezes faz chegar ao obscuro (que é o limite ainda perceptível entre a lucidez e o disparate). É um texto sonoro, como se poderá ver, cujo ritmo só me foi possível alcançar desta forma: explodir o lexema para chegar à música, quiçá à alma. (O Autor)
Enigma Blues -
Rey Vinas
Annabel Lee
2013
84 páginas
2h 48m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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