Assim, será êste livro de memórias? Sim, e não. Sim, porque repassa vultos e acontecimentos de várias décadas do Rio de Janeiro. Não, porque não teve intenção de respeitar rigorosamente a cronologia nem recorreu a jornais e revistas ou apontamentos. É apenas um "adeus!" a um recanto querido, menos que um pequeno bairro, e que gozou de fama, avolumada na distância, de ser paraíso de lindas mulheres e possuir antros e covis de bandidos e malandros, ter cabarés e entreter tôda espécie de jogos carteados ou não, da rolêta ao bacará e jaburú. Constituíam o mundo eclético da Lapa, seus bares, seus cafés, suas pensões e conventilhos, seus "rendezvous", de rameiras disfarçadas em mocinhas de comércio ou colégios... Mais ainda: seus bilhares, farmácias, engraxates, vendas, açougues, quitandas e cutelarias... Lapa tornava-se um mostruário do mundo, com seus amôres, vitrina de atrações, de ligações efêmeras, de ciúmes e juras de balcão de chôpe e promessas irrealizáveis, em cinco minutos de cama.
