Primeiro volume da saga de CID, uma série de ficção científica 100% nacional, prevista para ter cinco volumes. Ao responder a um misterioso email, entramos em contato com a incrível história de Dod Aia, alguém que se diz ser um enviado alienígena na Terra. Descubra um novo mundo, repleto de intrigas, ação e mistérios que podem mudar para sempre a história da humanidade.
CID, A Revelação -
Flavio C. Rebello
Um extraterrestre sem nada interessante a dizer
O autor, Flavio Rebello, entrevista o personagem Dod Aia, que é um extraterrestre (inteiramente humano) do planeta Moa que foi deixado na Terra quando bebê para ser criado por terráqueos e mais tarde ser abduzido e servir de fonte de informação sobre o planeta. O formato de entrevista é inadequado para a história, para começar: cria um distanciamento excessivo entre o leitor e os supostos fatos. Praticamente nada na história é atraente. A maneira como Aia conta sua vida e suas experiências não convence, de nenhum ponto de vista. Quando descobre ser um extraterrestre, seu relacionamento com os amigos e a família adotiva é deixado de lado quase da noite para o dia e as relações que estabelece com os tripulantes da espaçonave são superficiais e pouco convincentes. O entrevistado conta como passou por alguns apertos para se livrar de um ufologista que o perseguia por querer ficar famoso, mas nada acontece de sério - nem de suficientemente cômico. Apenas ridículo. Ao longo da história, desenvolve-se entre os tripulantes e com seu comando em Moa uma intriga política que acaba por afastar a missão da Terra, mas o entrevistado ficou à margem e pouco sabe dizer de interessante sobre ela. É simplesmente abandonado na Terra, sem saber se a pátria em Moa, que sonhava conhecer, ainda existe. Um completo anticlímax. Grande parte do texto se dedica a aludir a aspectos da língua, jogos, política, história e geografia de Moa e do comportamento dos "Sid", nome dado à nação mais importante do planeta, a que enviou a expedição à Terra. Mas tampouco isso é interessante: a concepção do planeta e seus habitantes é pouco criativa e não instiga o leitor. Salvo por um ligeiro viés racionalista e tecnocrático, são pouco diferentes de terráqueos ocidentais, não o suficiente para despertar curiosidade ou fazer pensar. Alguns mistérios são insinuados ao longo do livro, como uma relação entre cultura de Sid e a desaparecida civilização minoica da ilha Santorini, mas não são desenvolvidos. Deveriam ser uma isca para atrair o leitor para a continuação, se chegasse a ser escrita. Isso simplesmente não funciona: não basta uma ou outra alusão vaga a um mistério para motivar alguém a ler a continuação de um texto maçante e sem um final satisfatório. P.S.: Ao ser lançado, o livro tinha algum material de apoio na internet, inclusive um curso sobre "idioma e cultura Sid" e curiosidades sobre seu planeta, que há anos saiu do ar. Os interessados podem conferir o que foi preservado pela Wayback Machine em http://web.archive.org/web/20071027070148/http://br.xaccid.info/ Vale notar que o símbolo usado na capa do livro, que seria lido "Sid" na sua língua e supostamente está protegido por copyright, é simplesmente o monograma da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, do século XVII. Os descendentes de Maurício de Nassau deveriam cobrar direitos autorais...
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