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    Diários de Adão e Eva - e outras sátiras bíblicas

    Mark Twain

    Hedra
    2014
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-13: 9788577153466
    Português Brasileiro
    3.8
    51 avaliações
    Leram72Lendo3Querem74Relendo0Abandonos0Resenhas7
    Favoritos4Desejados74Avaliaram51

    Diários de Adão e Eva é uma espécie de diário íntimo do primeiro casal, dividido em duas partes: “Fragmentos do diário de Adão” e “Diário de Eva”, e os contos “Solilóquio de Adão”, “Autobiografia de Eva” e “Passagens do diário de Satã”. Os dois primeiros descrevem, do ponto de vista pessoal dos personagens, as novíssimas condições de vida no Paraíso logo após a Criação, incluindo as primeiras impressões de Adão sobre a obra divina e sua nova companheira − e vice-versa. Os contos trazem as experiências da vida depois do Éden e da maturidade − além das considerações de um observador privilegiado, Satã (reinventado como alguém capaz de ajudar, a partir de sua enorme experiência, o jovem e ingênuo casal). Obra póstuma de um dos maiores escritores e satiristas norte-americanos, pela primeira vez em português.

    Resenhas (7)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz08/10/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Fragmentado, mas divertido

    O livro "Diários de Adão e Eva" inicia com uma breve, mas interessante biografia de Mark Twain, destacando seu grande interesse pelos personagens do Gênesis e sua intenção de dar voz a eles, revelando aspectos da vida no Paraíso que não são abordados na Bíblia. Após a morte de sua esposa, Olívia Langdon, Twain começou a escrever contos com Adão, Eva e Satã, mas decidiu guardá-los na "Posthumous Box", temendo que sua abordagem cômica fosse mal interpretada. Adoraria que Twain tivesse tido a oportunidade de refinar sua narrativa enquanto estava vivo. Se a versão fragmentada já é tão divertida, imagino como seria se ele tivesse podido desenvolver plenamente a obra que desejava, sem medo da censura. Na primeira metade do livro, Twain retrata o cotidiano de Eva e Adão no Éden, antes e depois de comerem a maçã, de maneira espirituosa e divertida. Os comentários em diário revelam os pensamentos íntimos dos personagens, proporcionando uma visão única da vida no Paraíso. Eva é curiosa, criativa, inteligente, carismática e vivaz, enquanto Adão é displicente, indiferente e, por vezes, incoerente, mas também engraçado. O diário de Satã, embora menos extenso, oferece uma nova perspectiva sobre o personagem e suas intenções. O Satã de Twain é um personagem consciente, muito diferente de sua antítese na Bíblia. Os três primeiros contos sobre a vida no Éden são hilários. Os pontos de vista opostos dos personagens sobre um mesmo assunto me arrancaram boas risadas. Contudo, ao chegar a 70% do livro, os contos mudam de forma abrupta e passam a reescrever como Adão e Eva se conheceram, transformando-os nos primeiros cientistas, que passam a nomear e catalogar as plantas e animais do Paraíso. Essa parte é confusa e menos envolvente, já que a descrição da relação do casal se torna bem menos divertida, com Eva assumindo um papel de mera apoiadora de Adão em suas "teorias científicas". Considero o livro, em grande parte, divertido e instigante, e sua publicação tardia reflete a rigidez da sociedade da época em que Twain viveu, onde ele achava que sua originalidade poderia ser mal interpretada. Foi um privilégio ter conhecido essa obra, que recomendo a todos que apreciam a escrita cativante e divertida de Mark Twain.

    70 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 51
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Mark Twain profile picture

    Mark Twain

    Samuel Langhorn Clemens, mais conhecido como Mark Twain, foi um escritor estadunidense que nasceu na Florida, no dia 30 de novembro de 1835, e se criou às margens do rio Mississipi. Twain foi um aventureiro incansável que encontrou em sua própria vida a inspiração necessária para sua obra literária. Aos doze anos seu pai morreu, Mark largou os estudos e começou a trabalhar como aprendiz de topógrafo numa editora, onde começou a escrever seus primeiros artigos jornalísticos. Aos dezoito anos, saiu de casa para correr atrás de aventuras e fortuna. Trabalhou como tipógrafo, como aprendiz de piloto de uma embarcação movida a vapor, até que a Guerra da Secessão (1861) interrompeu sua carreira de piloto. Em seguida, partiu para o oeste, em direção às montanhas de Nevada, onde trabalhou em campos de mineração. Seu desejo de enriquecer o levou a procurar ouro, sem muitos resultados, fato que o obrigou a trabalhar como jornalista. Seu primeiro êxito literário aconteceu em 1865, com um conto de curta duração, chamado “A Célebre Rã Saltadora do Condado de Calaveras”, que apareceu num periódico já assinado como Mark Twain. Como jornalista, viajou a São Francisco, onde conheceu o escritor Bret Harte, que o incentivou a prosseguir na carreira literária. Foi a Polinésia e à Europa, cujas experiências foram relatadas no livro “Os inocentes no Estrangeiro” (1869). Depois de se casar, em 1870, com Olivia Langdon, estabeleceu-se em Connecticut. Seis anos depois, publicou a primeira novela que lhe daria fama: “As aventuras de Huckleberry Finn” (1882), obra também ambientada nas margens do rio Mississipi, mas não tão autobiográfica como “Tom Sawyer”, sua obra prima e uma das mais destacadas da literatura estadunidense. É preciso destacar também “Vida no Mississipi” (1883) que, além de uma novela, é uma esplêndida evocação do sul, não isenta de crítica, consequência do seu trabalho como piloto. Com um estilo popular e cheio de humor, Twain contrapõe estas obras no mundo idealizado da infância, inocente e ao mesmo tempo astuta, com uma concepção desencantada do homem adulto, do homem da era industrial, da era dourada, enganado pela moralidade e pela civilização. Contudo, nas obras que se seguiram, o sentido de humor e a ternura do mundo infantil dão lugar a um pessimismo e amargura cada vez mais evidentes, expressados com ironia e sarcasmo. Uma série de desgraças pessoais, como o falecimento de sua esposa e de uma de suas filhas, bem como falta de dinheiro, escureceram seus últimos anos de vida. Depois de publicar mais de 35 livros, Mark Twain faleceu em Redding, no dia 21 de abril de 1910.

    125 Livros
    385 Seguidores
    Flórida, Estados Unidos

    Mark Twain