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    O Homem ao Lado - Crônicas

    Sérgio Porto

    Companhia das Letras
    2014
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-13: 9788535924534
    Português Brasileiro
    4.2
    13 avaliações
    Leram23Lendo2Querem21Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados21Avaliaram13

    Sérgio Porto atacava em todas: TV, rádio, teatro, shows, cinema. Mas sobretudo deixou algumas das mais hilariantes e afiadas crônicas da literatura brasileira. Seu olhar para captar o humor nas relações sociais, sua habilidade em desnudar — sempre com riso — as imposturas de nossos políticos e seu ouvido para captar as irresistíveis expressões inventadas no dia a dia do Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960 o entronizaram no panteão de nosso melhor humor literário. O homem ao lado reúne crônicas com as melhores características de um autor que foi campeão de audiência: desde pequenas ficções sobre personagens e situações do Brasil e escrachos sobre personagens da História até um lado mais nostálgico e lírico. O conjunto é impressionante ao mostrar as diferentes e criativas maneiras do carioca de construir seus textos. Midas do humor, Sérgio Porto injetava graça em tudo o que tocava. Suas crônicas eram comentadas quando saíam nos jornais e, suprema glória para um autor, faziam parte da conversa cotidiana de brasileiros de todas as classes sociais. Agora, com o início da reedição de sua obra pela Companhia das Letras, novas gerações de leitores poderão se deliciar com essa escrita irresistível.

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    Laércio Becker picture
    Laércio Becker30/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O melhor da crônica de Sérgio Porto

    Atenção, Sérgio Porto merece as cinco estrelas. As quatro estrelas são para esta edição. O primeiro volume de crônicas dele foi "O homem ao lado", de 1958. "A casa demolida", de 1963, em suas próprias palavras, "é, ao mesmo tempo, uma continuação, uma variação e uma nova edição" (p. 236). Os números explicam. A edição original de "O homem ao lado" reunia 60 crônicas, enquanto "A casa demolida" continha 49 crônicas, sendo 12 novas e 37 variações das já publicadas ("revistas, reduzidas umas, ampliadas outras", loc. cit.). Ou seja, até alguns anos atrás, as duas obras conviviam e eram ambas necessárias em razão de suas diferenças. Havia crônicas presentes em somente uma das coletâneas e havia outras em comum mas com diferente roupagem. Até aí, ok. No entanto, o jogo virou em 2014, quando a Companhia das Letras publicou esta nova edição de "O homem ao lado", contendo 71 crônicas: todas as publicadas em "O homem ao lado" e "A casa demolida", menos três ("A pelada", "O técnico" e "O ídolo"), reservadas para uma futura coletânea sobre futebol - que, aliás, está demorando a sair, hein? Ou seja, o que temos hoje é que "A casa demolida" está toda contida nesta edição de 2014 de "O homem ao lado" - exceto pela crônica "O ídolo". Além disso, pelo que pude apurar, esta edição de "O homem ao lado" adota a mesma redação (revisada, aumentada ou diminuída) preparada pelo autor para "A casa demolida". Por fim, esta edição de "O homem ao lado" traz as datas das últimas publicações em periódicos de quase todas as crônicas (exceto "Éramos democratas", "O triste fim de Pedro Cavalinho" e "Dolores"), informação que não constava nas edições anteriores de ambos os livros. (A escolha da última publicação e não da primeira se explica porque o autor costumava fazer alterações em cada republicação, ou seja, a última presume-se uma versão revisada.) O único porém desta edição é a organização das crônicas. A partir do momento em que reuniu crônicas de "A casa demolida" que não constavam em edições anteriores, ela bem que poderia ter repensado a sua ordem de publicação. A adotada é inexplicável. Acho que apenas dois critérios se apresentam como defensáveis. O primeiro seria o da ordem estritamente cronológica. Justo, mas além de não contemplar as três crônicas não datadas, separaria a trilogia de Pedro Cavalinho. Melhor seria a organização temática elaborada posteriormente pelo próprio autor, ou seja, tentar encaixar tudo nas cinco partes de "A casa demolida". P.ex., "Mudança" poderia entrar na parte "A casa", "Latricério" em "Pedro Cavalinho e outros" e assim por diante. Nada impossível, até porque a quinta parte é o curinga "Outras histórias", que receberia de páginas abertas todas as demais crônicas não enquadradas nas anteriores. Ou essa sugestão é muito cocoroca? Na dúvida, segue abaixo. Em resumo: atualmente, esta edição de "O homem ao lado" é a melhor amostra da produção desse grande cronista carioca. SUGESTÃO DE SUMÁRIO (explicação acima) 1) A CASA A casa demolida; Relíquias da casa velha; A rua; A moça e a varanda; Éramos mais unidos aos domingos; Refresco; O pátio da igreja; O cupim; O hóspede. (De "A casa demolida") Mudança; Fazenda. (De "O homem ao lado") 2) PEDRO CAVALINHO E OUTROS Presença de Pedro Cavalinho; O triste fim de Pedro Cavalinho; Das aventuras de Pedro Cavalinho; Moça no banho; O Escafandrista da Aurora; O Mausoléu; Benjamim de Oliveira, o palhaço; O Bloqueio; A filha do senhor embaixador; A revolta de Almira; Um temperamento dramático; A janela de Marlene; Dolores. (De "A casa demolida") Latricério; Éramos democratas; História triste; Pedro, o homem da flor. (De "O homem ao lado") 3) CALENDÁRIO Datas; Memórias de um carnaval; "Dile que puede entrar"; Momentos; Ano-Bom; São João. (De "A casa demolida") Cuidado com o bolo; Nesta data querida. (De "O homem ao lado") 4) HISTÓRIAS DE BAR Momento no bar; Incompatibilidade de gênios; Há muito tempo; Apelo; "Seu" Torquato - rei de Espanha. (De "A casa demolida") História verídica de uma entrevista sincera. (De "O homem ao lado") 5) OUTRAS HISTÓRIAS Castigo; Frederico; Um retrato; Um quadro; Caixinha de música; Saudade; Continho; História de um nome; Papelada; Que os anos não trazem mais; Uma mulher que passou; O homem que se parecia com o presidente; Uma carta; "Todos os filhos de Deus têm asas"; Divisão. (De "A casa demolida") O homem ao lado; Estrada de Ferro-Leblon; Bichos; O ABC da história; Um anjo; Caderninho de endereços; O gavião da Candelária; "Deixa as águas rolar"; As saudades de Teresa; O grande mistério; Alta patente; O afogado; Canário-belga; Medidas no espaço e no tempo. (De "O homem ao lado")

    5 curtidas

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    Sérgio Marcus Rangel Porto

    Nasceu no Rio de Janeiro em 1923 e morreu na mesma cidade em 1968. Foi cronista, radialista, homem de TV e compositor. Conhecido nacionalmente por meio do pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, publicou coletâneas de crônicas e textos sobre futebol, além do <i>Febeapá</i>, um conjunto de textos que, publicados em plena ditadura, satirizavam os despautérios de nossos poderosos.

    25 Livros
    56 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Sérgio Marcus Rangel Porto