Ponte entre povos - A música dos índios e a música erudita no Amapá/Brasil

    Miranda, Marlui (organizadora)

    Sesc-SP
    2005
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Livro bilingue português/francês acompanhado de CDs, detalhando projeto de resgate da música indígena que resultou no espetáculo Ponte Entre Povos, apresentado no Sesc Pinheiros, em Sao Paulo, em janeiro de 2005.

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    "É a consagração de um dos meus trabalhos mais difíceis e cuidadosos", conta Marlui. A idéia do projeto Ponte entre Povos surgiu em abril de 2001, quando uma apresentação reuniu muitos participantes indígenas. "No mesmo ano fizemos uma oficina não apenas para cantores indígenas como estudantes da escola de música de Macapá. São pessoas muito interessadas: apesar das enormes distâncias na região, descobri um garoto que tinha aulas de violino por telefone", lembra Marlui. A partir daí, ela e todos os profissionais envolvidos nas oficinas iniciaram uma meticulosa pesquisa dos sons praticados pelos índios, um trabalho de extrema paciência -chegaram a passar 12 horas desvendando um único canto. Em seguida, com o projeto já recebendo apoio do governo estadual e do Sesc, começou o trabalho de gravação de fragmentos de rituais e de cantos indígenas. O resultado está no volume Ponte entre Povos. "Como não se trata de um repertório de domínio público, todas as músicas foram registradas na Biblioteca Nacional", conta Marlui. "Acima de tudo, quero mostrar o que a música pode fazer pela liberdade das pessoas." Obstáculos - A empolgação dos índios em perpetuar sua tradição musical em CD pode ser medida pelo tamanho do esforço gasto - as gravações ocorreram em um estúdio de televisão em Macapá, capital do Amapá, mas a maioria vive a quilômetros de distância. Um momento importante foi a integração dos índios com os estudantes de música clássica. Os estudantes aprenderam a tocar os instrumentos dos índios e passaram a utilizar o violino da mesma forma que seus novos colegas, tocando o arco de forma a imitar o som do casco do jabuti. "Assim como os meninos da escola não conheciam a música dos índios, estes nunca haviam ouvido ou visto uma orquestra e conhecido seus instrumentos, muito menos um estúdio de gravação daquele porte", explica Marlui, que colocou a música indígena como prioridade ao montar o programa, seguida do breve repertório clássico formado por Mozart e Verdi. "Para os índios, a música é também a voz dos espíritos, das aves míticas e dos seres sobrenaturais que, antigamente, de acordo com a filosofia indígena, eram "gente" como nós", escreve a pesquisadora Lux Vidal, autora de um dos textos que figuram no volume Ponte entre Povos. Fonte: gazetadigital.com.br

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