Ópera dos mortos -

    Autran Dourado

    Francisco Alves
    1995
    214 páginas
    7h 8m
    ISBN-10: 8526502034
    Português Brasileiro

    O oitavo livro de Autran Dourado e seu quarto romance. Saiu do prelo pela primeira vez em 1967, vinte anos após o título de estréia do autor. Portanto, já se situa entre as obras maduras do escritor mineiro. Sua ação se concentra no interior de sua Casa quase personificada, na qual residem Rosalina, sua goveranta Quinquina - uma espécie de Parca - e Juca Passarinho, aquisição tardia. A protagonista é a última descendente do outrora poderoso clã dos Honório Cota. O avô Lucas Procópio desbravara os matos emprenhando escravas e mestiças; o pai João Capistrano, em contrapartida, seguia comedido os ditames da lei e da ordem e, político frustrado, rompeu relações com quase todos os membros da comunidade. Rosalina assume à sua maneira as personalidades contraditórias de seus dois ancestrais, pois de dia vivencia a patroa repressora e reprimida, ao passo que à noite libera sua fantasia em vários níveis, através do corpo de um amante e da presença imaginária de outro. Autran Dourado nos faz adentrar o universo da múltipla Rosalina, cuja voluntária reclusão é pontuada por imagens fortemente marcadas pelo simbólico, como os relógios propositadamente parados e as flores de pano. O mergulho abissal na corrente de consciência da protagonista conduz o leitor pelos labirintos interiores da personagem, expressamente colocada sob o signo do imobilismo do culto dos mortos e do auto-isolamento, até a eclosão do paroxísmo final

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    Clio picture
    Clio22/06/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Eu nunca havia lido nada de Autran Dourado e a perda foi só minha. Em a Ópera dos Mortos somos brindados como uma prosa rica que abusa de frases curtas que trazem um dinamismo numa descrição do contrário seria lenta, morosa. Tudo é observado, enriquecido, mas essa peculiaridade dá uma ligeireza no texto que faz com o que os olhos percorram as páginas em minutos, acompanhando o ritmo dos personagens que parecem pular em seus passos, lépidos em palavras e ações. A história gira em torno Rosário e sua família, estancieiros, que após a morte do Coronel e patriarca veem a decadência de sua influência na região. O interior descrito na narrativa poderia ter sido feito em qualquer lugar, mas o sabor brasileiro está lá com todos os nossos típicos interesses de caça e festa que infelizmente hoje se perdem ou já se perderam em muitas partes do país - o quanto será que essa história ainda passa sem notas editorais é um ponto de interrogação. Recomendo.

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