"A narrativa concisa, além da elaboração da linguagem, são elementos que conferem a Bom-Crioulo um lugar de destaque em nossa literatura. No entanto, seu maior mérito é conseguir alargar nosso campo de visão, primeiro por mostrar que o Naturalismo não está só nas mãos de Aluísio Azevedo. A história conta a vida de um escravo foragido chamado Amaro, conhecido como o 'Bom Crioulo'. Negro robusto e alcoólatra que, sem escolhas, passa a trabalhar nos navios. Sem experiências sexuais até os 30 anos, em uma de suas viagens apaixona-se perdidamente por um grumete chamado Aleixo, jovem de olhos claros, pele branca e beleza andrógina. Este amor repentino o faz mudar de vida - larga seus vícios e aluga um pequeno quarto, para viver com o rapaz na pensão de uma conhecida portuguesa, gorda e simpática. Tudo era um lindo sonho, até Amaro ser intimado a trabalhar em uma embarcação."
