Nota: não leia essa resenha, a menos que você não fique melindrado com linguagem tosca ou possível spoiler aqui ou acolá.
Quem me conhece sabe que, definitivamente, não leio NADA com triângulo amoroso ou final desgraçado. E se pego na inocência uma história que tenha alguma merda dessas, não é uma coisa bonita de se ver.
Sério.
Mas, outro dia, lá estava eu conversando sobre livros com uma amiga e ela me recomendou muitíssimo Black lies. Como eu não sabia que rai de livro era esse, fui atrás da sinopse que, por sinal, se resume em “mocinha (vaca) fica (dá) entre (pra) dois caras”. Obviamente, diante de tal sugestão, concluí que minha amiga estava possuída por alguma entidade maligna pra me indicar uma bosta de livro com triângulo amoroso.
Bem, depois de se ofender e negar a suposta possessão, ela me garantiu que frases como “nada é o que parece”, “as aparências enganam”, “não acredite em tudo que lê” e chavões afins se encaixam com perfeição nesse livro.
Como a curiosidade é uma cadela, aceitei por de lado minhas aversões literárias, mas somente porque me agarrei a todas aquelas frases como uma espécie de mantra.
E eu li.
Puta que pariu!
Que porra de livro é esse?!
E que medonhice de oscilação emocional foi aquela? Senti tanta coisa lendo essa história, que cogitei seriamente a hipótese de fazer uma resenha apenas com exclamações e interrogações. Foi tanta revolta, desconfiança, assombro, desconfiança de novo, alegria, fúria, aparvalhamento, que demorei a dormir. Estava aceleradíssima.
Aliás, nem preciso comentar minha cara encarquilhada hoje de manhã.
Black lies é assim... intenso, chocante, o tipo de livro que me tirou da zona de conforto pra ver se eu era macho o suficiente pra continuar a encarar a coisa toda. Não sou não, mas valeu a pena cada taquicardia.
Veja se não tenho razão...
Imagina uma história de amor linda vivida por um homem e uma mulher perfeitos juntos? Daí, no meio de uma viagem romântica, ela descobre um segredo colossal que envolve o cara, mas o leitor não fica sabendo de nada. Quase tive um troço quando virei a página e percebi que a autora, num surto de crueldade mórbida, não falaria um naco que fosse sobre episódio que deixou a mocinha tão chocada.
Daí, o tempo passa, a relação continua forte, mas Lana se envolve com Lee, um cara lindo por quem ela começa a nutrir uma estranha obsessão. Juro que, a princípio, classifiquei a mocinha como o tipo de pessoa que por onde anda não nasce mais mato. Onde já se viu ter Brant, a reunião harmônica de todas as gostosuras masculinas, e acabar se envolvendo com outro?
Xinguei a criatura com uma eloquência que faria os antigos gregos e romanos me olharem com um árduo respeito.
E te juro de pé junto que só não abandonei o livro porque alguma coisa estava errada. Esse envolvimento estranho, essa obsessão bizarra por Lee e, ao mesmo tempo, o amor extremo dela por Brant não se encaixavam. E quando finalmente a coisa toda veio à tona, fiquei dividida entre um “eu desconfiava!” e “que porra é essa?”.
Mas, acredite, ainda que a autora jogue as pistas através de frases e comportamentos da mocinha, é difícil imaginar a dimensão de tudo.
E junte a isso tudo um monte de cenas de sexo (essenciais na história, nunca achei que diria isso), uma tia doida que merecia uma coça de bambu de hora em hora e mais um monte de chocolate porque, sem brincadeira, você vai precisar.
Eu precisei e quase tive uma indigestão.
Não vou falar mais nada, me recuso porque você PRECISA ler esse livro.
Leia!
Leia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
;)