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    Correio Europeu -

    Marques Rebelo

    José Olympio
    2014
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788503010382
    Português Brasileiro
    3.3
    9 avaliações
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    No início dos anos 1950, o autor de Marafa embarca em uma viagem pela Europa Ocidental, de Lisboa a Genebra; de Copenhague a Roma. Suas impressões da viagem, publicadas originalmente no vespertino Última hora, estão aqui reunidas no brilhante Correio europeu. Com humor afiado e espirituosa qualidade literária, Marques Rebelo traça, com o olhar do intelectual brasileiro, uma Europa de costumes e peculiaridades.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich08/09/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A Europa segundo Marques Rebelo

    Nos anos de 1951 e 1952, Marques Rebelo andou por vários países da Europa Ocidental e fez crônicas com as suas impressões para o vespertino “Última Hora”, do Rio de Janeiro. Lançado algum tempo depois no formato de livro, o conjunto dessas crônicas ganhou uma segunda edição neste ano de 2014, sob o título “Correio Europeu” (José Olympio), sem que os textos tenham sofrido grande envelhecimento – ao contrário, continuam saborosos como há 60 anos. Marques Rebelo, é preciso que se diga, não é um cronista de viagem tradicional. Isto é, ele não é o tipo de pessoa que irá percorrer cada ponto turístico da cidade apenas para se encantar e exaltar as virtudes de cada lugar. A abordagem das suas crônicas – em geral, pequenas notas com ligeiras impressões e recortes de cenas cotidianas – é bem mais irônica, com comentários por vezes mordazes mesmo. São reflexões divertidas que nascem do estranhamento de quem não pertence aos lugares que visita, mas que não também não poupa a sua própria pátria. Assim é que percorremos capitais e cidadezinhas de Portugal, Suíça, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Alemanha, Espanha, Mônaco, Itália, Vaticano, São Marinho (“Realmente existe”) e França, acompanhando o cronista em suas idas a museus, catedrais e restaurantes, ouvindo curiosas histórias e lendas locais, além de comentários sarcásticos sobre usos e costumes. Um dos momentos mais interessantes do livro é a conversa que Marques Rebelo tem com a estátua de Voltaire na França, de onde é possível perceber muitas das suas opiniões sobre política, o Brasil, a Europa e o ser humano em geral. Alguns trechos de suas crônicas: Arnhem – Holanda Cá temos uma cidade na qual gostaria de morar. Suponho que outro brasileiro já teve a mesma ideia, pelo menos, no jardim público há uma estátua de braço quebrado, e no lavabo do hotel, uma sublime inscrição. Vaticano As maiores decepções da minha vida – as pinturas da Capela Sistina e as coxas de uma Miss Espírito Santo, que eu vi na praia. Nápoles – Como Nápoles é bela! – Toda a Itália é bela! – inflama-se a gorda. – Belíssima – canta o coro. – Mas onde eu posso ouvir uma canção típica? – quer saber Venceslau, espanhol de bigodinho. – Só em Paris, meu caríssimo. Paris – Paris é uma delícia! E ela me diz isso, a linda patriciazinha, com tal explosão de sinceridade, que não discordo, apenas concluo que delícia é uma chatice diferente.

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    Marques Rebelo profile picture

    Marques Rebelo

    Nasceu na Rua Luís Barbosa, nº 42, bairro de Vila Isabel, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, de onde aos quatro anos, por motivos de saúde familiar, muda-se para Barbacena, Minas Gerais, onde seu pai funda uma fábrica de especialidades farmacêuticas (não sem antes passarem por Ilhéus e Sítio), e ali permanece com a família até 1918 ou 1919, data em que a Gripe Espanhola parece ali também grassar entre seus parentes e familiares, qual sugere a sua obra literária, de inspiração autobiográfica. Seu pai era o químico, empresário e professor Manuel Dias da Cruz Neto, neto do segundo Barão da Saúde (renomado e rico comerciante de madeiras, por D. Pedro II agraciado a um ano da Proclamação), fundador da Quimioterápica Brasileira Limitada e professor da Escola de Farmácia do O'Grambery (Juiz de Fora) e da Escola de Agronomia do Estado do Rio (Niterói), e sua mãe, dona Rosa Reis Dias da Cruz, da família Rebelo Reis, proprietária de fazendas e caieiras em Cantagalo e Magé. A contar cinco anos, por ligeiras instruções familiares, aprende a ler a sós com a revista O Tico Tico, da qual rapidamente passa à Gazeta de Notícias, pela qual, segundo conta, faz-se em seguida formado em assuntos da Grande Guerra. O aprendizado das primeiras letras, completou-o à escola de dona Rosinha Ede (retratada no conto "História", de Oscarina), onde lhe desperta o voraz hábito de leitura o romântico Coração, de Edmundo de Amicis — primeira obra lida e que o marcará como escritor. Vocacionado e influenciado pelo pai, é de sua estadia em Minas Gerais, sobretudo entre os 9 e 11 anos, a leitura e absorção da Bíblia e de bastantes obras literárias, no mais francesas, nórdicas, portuguesas e brasileiras, entre as quais as de Anatole France, Honoré de Balzac, Selma Lagerlöf, Andersen, Luís Vaz de Camões, Camilo Castelo Branco e Olavo Bilac. De volta ao Rio, agora instalado em Copacabana (onde trava amizade com Augusto Frederico Schmidt), é provável tenha cursado o antigo ensino secundário no Colégio Andrews (c. 1918-1923), submetendo-se a preparatórios examinados em 1924 e 1925, no Colégio Pedro II. Aos quinze anos (1922), porém — descobertos Manuel Antônio de Almeida e Machado de Assis —, fora levado pelo pai a ter um triênio de aulas com o gramático e filólogo Mário Barreto (retratado em "Depoimento Simples", de Oscarina), filho do também filólogo Fausto Barreto (este, autor de Antologia Nacional, junto de Carlos de Laet) e que lhe ensinou latim, submeteu-o a rigorosas redações semanais (com temas estipulados) e lhe apresentou a clássicos portugueses, estudos que lhe incutiram, ou reforçaram, profundo desvelo pela língua portuguesa e que concorreram para a eficiência e fluidez de sua prosa. Rebelo chega a cursar três anos de Medicina pelos fins da década de 1920, abandonando-o no entanto, para, dedicando-se intensamente à vida de escritor, trabalhar no comércio (Cia. Nestlé) e, mais tarde, no jornalismo (1951), havendo bacharelado-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1937 pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) e a diplomar-se, em 1945, pelo Curso de Extensão Universitária de Literatura Norte-Americana, do Instituto Brasil-Estados Unidos e Universidade do Brasil, com tese sobre o escritor norte-americano Bret Harte. Casado de 1933 a 1939 ou 1940 com dona Alice Dora de Miranda França (de quem teve os filhos José Maria Dias da Cruz, renomado artista plástico, e Maria Cecília Dias da Cruz, uniu-se em 1940 ou 1941 com Elza Proença († 1998), que lhe foi secretária até ao fim da vida.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Marques Rebelo