In Nomine Dei -

    José Saramago

    Caminho
    1993
    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-10: 9722108077
    Português Brasileiro

    Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-da-Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?

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    Joseilton de Lima Correia25/05/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma crítica ao fenômeno que entendemos por Fé.

    "Como assim, "temer a Deus"? [...] Como é que eu devo ter medo do que é só amor? Perceba a cumplicidade entre espinho e flor Quem não julga o desigual, nada vai discriminar Se tudo é divino, tudo em Deus tem seu lugar. " Verdade Oculta – Jorge Vercillo Das coisas que mais me chateavam na minha infância, uma delas era ouvir um adulto me dizer: “Não faça isso, Deus Castiga!” Como pode, alguém que transborda amor, pode castigar aquilo que deveras acreditamos, Ele mesmo criou. Este foi um questionamento que levei durante toda a minha adolescência e só vim encontrar uma resposta satisfatória, depois de uma homilia mais que espirituosa de um padre Italiano chamado Adone Favrin (do qual, tenho imenso carinho e respeito), um verdadeiro Teólogo e sacerdote e que na sua imensa sabedoria disse: “Deus não castiga ninguém! O que nos acontece é apenas um reflexo dos nossos próprios atos e escolhas. Colocamos a culpa em Deus para aliviar a nossa culpa, para reprimir a mente dos fracos, e para justificar aquilo que é injustificável. “ Acredito que Saramago compartilhe do pensamento do meu amigo padre. Saramago, um ateu por natureza, assim o foi, por não aceitar as facetas que o homem dá ao seu próprio Deus. Se Deus é divino, como pode que as suas atitudes sejam devassas, julgadores, macabras e assassinas? “In Nomine Dei” é uma peça teatral com um cunho poético/teológico marcante, que expressa constantemente a revolta de um homem que não consegue aceitar o modo pelo qual, outros homem manuseiam a palavra de Deus. Um homem que questiona o porque da subjulgação, dos flagelos corporais, da intolerância, da opressão e das guerras, que os homens querem justificar como “A Vontade de Deus.” Para Saramago, não importa a religião. Os atos incompreensíveis que são “justificados” por uma frase retirada de um Livro Sagrado e que é distorcida, a aceitação de uma atitude radical, não merece ser tido como uma Vontade de Deus. Procurar as faltas religiosas e exaltar os seus “acertos” são maneiras abusivas e anti-teleológicas. Os “homens de Deus” ultimamente procuram mais a guerra que a paz, e buscam como o próprio Saramago mesmo diz: “Um modo ‘divino’ que justifique a maldade que há em seus corações”. Concordo com Saramago, e vi nessa sua obra a manifestação de um homem que não é um descrente em Deus, apenas naquele que tem as rédeas de sua palavra nas mãos. E é triste ver, que esse mundão de Deus, está rumando não para a paz e para o respeito, mas sim, para a Escatologia mesquinha e intolerante, tudo isso “In Nomine Dei”...

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