Escrito em 1944, no final da II Guerra Mundial, O Anão é um livro de um pessimismo lúcido, exemplar na construção narrativa e brilhante no estilo. Pär Lagerkvist situou a narrativa num tempo histórico incerto, algures durante a Renascença italiana (provavelmente no final do século XV), mas as situações e figuras que evoca têm uma dimensão universal. No fundo, o que o leitor encontrará, ao longo destas páginas sôfregas, é um retrato da maldade humana em todo o seu esplendor, personificada pelo anão Piccolino que, do alto das suas 26 polegadas de altura, lança sobre a realidade que o rodeia o mais aviltante dos olhares.
