Isaac Epstein
Sempre interessado por Matemática e Filosofia, o engenheiro civil Isaac Epstein tornou-se uma das referências na área de Comunicação Científica no Brasil. Dedicado à compreensão das difíceis relações entre cientistas e divulgadores e à forma mais pertinente de comunicar o conhecimento da ciência, publicou diversos artigos, capítulos e livros, contribuiu para a formação acadêmica de muitos pesquisadores nessa área e continua ativo, preparando cursos rápidos de extensão e ministrando palestras sobre o tema.
Isaac Epstein começou seu percurso intelectual nas ciências exatas. Em 1950, graduou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica e dedicou os anos seguintes ao exercício de sua profissão. Nesse período fiscalizou obras importantes, como a construção do Estádio do Guarany F.C., do Palácio da Justiça, da Escola Preparatória de Cadetes e do Aeroporto de Viracopos, na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Em 1963, passou seis meses em Paris e no interior da França estudando Técnicas Modernas em Construção apoiado por uma bolsa concedida pelo governo francês.
A virada na sua trajetória ocorreu quando o interesse pela Cibernética, na época ainda uma ciência recente, o fez construir um engenho denominado de “Gabriela, uma máquina que aprende”, que tinha o mérito de “aprender” pelo processo tradicionalmente denominado de “tentativa e erro”. O projeto e a descrição do funcionamento dessa “máquina” estão no livro Cibernética e Comunicação, Editora Cultrix, 1973. Em 1968 foi convidado a lecionar nas Faculdades de Comunicação e de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) - instituição que, com a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), foi uma das primeiras a inaugurar o ensino universitário de Comunicação Social.
Em razão de sua formação e de seus interesses, foi designado para lecionar as disciplinas “Cibernética” e “Teoria da Informação”, a partir de teóricos como Norbert Wiener, Ross Ashby, Gordon Pask, Claude Shanonn e Von Bertallanfy. Nesse período, teve o privilégio de ter como colegas Vilém Flusser, Mauricio Tragtemberg, João Alexandre Barbosa, Rafael Buongermino, Nelson Leirner, entre outros. Os estudos atrelados à Comunicação se tornaram uma constante. Sua aproximação pelo segmento de comunicação da ciência é vista como natural, levando-se em conta sua primeira formação. No início da década de 80 concluiu a pós-graduação em Filosofia da USP. Sua tese a respeito da filosofia da ciência foi premiada como o melhor trabalho do ano no gênero.
Os estudos sobre comunicação de massa vieram a seguir. Em 1991, concluiu o doutorado em Ciências da Comunicação pela mesma instituição. A dedicação pela comunicação de ciência acompanha sua caminhada acadêmica. Desde 2009, quando concluiu o período de docência universitária, tem se dedicado a estudar e a escrever principalmente sobre dois temas: a proposta de uma teoria de divulgação científica e as teorias de comunicação de massa.