Salão Chinês leria muito mais potente e fluido como um romance, e talvez seja essa a questão que me afasta um pouco do livro do Antônio. Coletânea de escritos que viajam entre poema e conto -e crônica, porque não?-, todos os textos parecem convergir estilística e tematicamente nos mesmos lugares abafados e sufocantes, nos mesmos amores marginais e tóxicos, nos mesmos sexos deliciosos e ruins, nos mesmos refúgios de um homem gay de 30 e poucos anos e suas referências, no mesmo salão chinês; portanto, em dado momento a lógica de confinar esses textos em unidades, e não tratá-los como uma grande e dolorida ladainha, desemboca na impressão de estarmos nos repetindo, voltando para o início de algo já remediado, ou pelo menos estabelecido. De fato, alguns amores são assim, um ciclo amargo e eterno, mas tirar os títulos e deixar que o fluxo do texto dê conta de pontuar o início e o fim desses períodos poderia ser mais impactante. No mais, triste triste, para quem gosta é um prato cheio. Eu adoro.