O volume I de Montaigne da coleção Os Pensadores contém o primeiro livro e parte do segundo (capítulos I a XIII) da sua obra Ensaios.
O tamanho pode assustar alguns, são mais de quinhentas páginas, mas não há maior erro. Uma das características desse filosofo é justamente o estilo de escrita. Montaigne se preocupava com a forma como seria lido e desenvolveu uma retórica própria para expor seu pensamento, tanto que hoje muitos também o estudam como um estilo literário.
O conteúdo é composto de anedotas e argumentos sobre o tema principal: a moderação. O autor acreditava que excessos eram um mal moral e social e não deveriam compor nem a formação, nem o desenvolvimento de nada.
E é aí que somos brindados com capítulos que abarcam temas tão diversos como a natureza da educação - mnemônica e arbitrária - até o odor corporal de Alexandre Magno.
O texto é extremamente cético; o autor questiona e argumenta contra vários lugares-comuns e não se furta ao sarcasmo. Há críticas políticas, religiosas e até ao amor. De fato, não há justifica a seu ver ao descomedimento e ler seu raciocínio sobre os males do Amor é quase como ler uma Apologia à Vida Pacata.
Enfim, para aqueles que não estão acostumados a ler trabalhos filosóficos na íntegra (ou pelo menos quão íntegro algo traduzido pode ser), pode ser uma boa alternativa já que é um texto relativamente acessível.
A edição da Nova Cultural é de qualidade, trazendo uma pequena biografia, bibliografia e notas de tradução