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    Amor e memória -

    Ayelet Waldman

    Casa da Palavra
    2014
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788577344963
    Português Brasileiro
    3.7
    174 avaliações
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    Um deslumbrante medalhão e três homens: um capitão de infantaria americano, um israelense negociador de obras de arte roubadas pelos nazistas; um psiquiatra pioneiro de Budapeste do fim do século XIX. Suas vidas pacatas são viradas de cabeça para baixo por três mulheres fortes e independentes. Em 1945, na Áustria, os vitoriosos soldados americanos capturam um trem repleto de riquezas indescritíveis – objetos que haviam sido confiscados dos judeus pelos nazistas. Entre os tesouros estão pilhas de relógios de ouro; montanhas de casacos de pele; caixas cheias de alianças de casamento; porta-retratos de prata; castiçais de Shabat e heranças de família repassadas por gerações. Jack, um inteligente nova-iorquino judeu, é o oficial encarregado de guardar o trem, uma responsabilidade que fica ainda mais complicada quando conhece Ilona, uma bela húngara que perdeu tudo em meio às devastações do Holocausto. Setenta anos depois, Natalie recebe de Jack, seu avô, um lindo colar com o desenho de um pavão com penas de pedras preciosas, que fora achado no trem. Dentro do medalhão, está a fotografia de uma mulher desconhecida. Encarregada de devolver a joia à mulher da foto, Natalie deve mergulhar num submundo sombrio de negociantes de arte para descobrir a história por trás do medalhão. Mas se surpreende ao aprender sobre a vida fascinante de uma mulher feminista que lutou pelo direito de voto no final do século XIX em Budapeste. Uma história de personagens brilhantes, Amor e memória é o melhor romance de Ayelet Waldman: uma obra ricamente detalhada que levanta questões difíceis sobre o valor das coisas preciosas em um momento em que a própria vida parece sem valor, e sobre as correntes invisíveis que nos prendem aos sofrimentos e às paixões do passado.

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    Coisas de Mineira picture
    Coisas de Mineira18/07/2019Resenhou um livro
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    Amor e Memória é um livro delicado e cativante. Inicialmente, o que me ganhou nele foi a capa: linda, com detalhes em hot-stamp e uma ilustração muito chamativa. Depois, a sinopse, porque sou apaixonada por romances com um fundinho histórico. Mas é um romance muito elogiado, inclusive pela autora Isabel Allende, que disse “Um romance cheio de reviravoltas e personagens cativantes”. De fato, a autora não mente. Temos três histórias paralelas sendo contadas aqui: a de Jack e Ilona, a de Natalie, neta de Jack, e a de Nina e Gizella. Todos unidos por um único objeto: um medalhão que Jack furtou durante a II Guerra e acaba por incumbir sua neta de devolver a jóia, mesmo que nenhum dos dois saiba qualquer coisa sobre suas origens. “A moça possuía o aspecto inconfundível dos sobreviventes dos campos. Mesmo alguns meses depois da libertação, eles eram mais magros do que os outros refugiados, mais ainda se comparados aos austríacos, que a partir de então começavam a experimentar a escassez de comida que o resto da Europa ocupada vivera ao longo da guerra. O rosto dela estava abatido e sombrio, sua expressão era séria, mas o cabelo tinha voltado a crescer na forma de cachos vermelhos, a luminosos e desordenados.” – p. 39 Apesar de completamente distintas, as histórias dos personagens giram em torno de um medalhão com o formato que ilustra a capa: um pavão incrustado de pedras. Não é muito precioso e a jóia pode ser considerada sinal de má-sorte pelos húngaros, mas acaba por se mostrar uma peça significativa e de grande valor sentimental, histórico e artístico. Assim, ao passarmos as páginas, somos transportados para a Hungria. Primeiro com Jack, um soldado judeu americano,no ano de 1945, ao fim da II Guerra Mundial. Somos apresentados à Ilona, uma sobrevivente dos campos de extermínio, e ao amor que Jack desenvolve por ela. Mesmo tentando agir da melhor forma possível, Ilona mantém uma grande distância emocional soldado. É também nessa parte que o medalhão vai parar nas mãos de Jack: por meios ilícitos e apenas para se lembrar da mulher que amou. Depois de sua morte, ele deixa o medalhão para Natalie, junto com uma difícil missão: retornar a jóia para sua família de origem. O problema é que nem Jack nem ninguém sabem nada acerca da peça. Afinal, o objeto foi roubado do chamado Trem de Ouro Húngaro, que consistia em um trem carregado de objetos de valor dos judeus da Hungria. Segundo consta, os nazistas carregaram 52 vagões com ouro, prataria, louça, jóias, casacos de pele e vários outros itens que foram confiscados de judeus. O objetivo era cruzar a Polônia e usar o tesouro para reerguer o nazismo. O trem, porém, foi interceptado pelo exército americano. “Gostaria de tê-la conhecido antes de se estilhaçar. Antes de seu mundo ter se estilhaçado. Mas talvez parte do que ele gostava nela era exatamente esse caráter estilhaçado.” – p. 107 E, sutilmente, Amor e Memória sugere como se deu o roubo desenfreado do tesouro contido no trem. Mas Jack tenta evitar o saque através da catalogação de todos os objetos possíveis. Seu único motivo para roubar o medalhão era devolvê-lo à Ilona, na esperança de dar-lhe algo para se lembrar de casa. O que ele não previa era que Ilona nunca tivesse visto o medalhão na vida. Assim, ele fica com a jóia para poder se lembrar da garota de cabelos vermelhos. No momento em que o entrega para Natalie, Jack já está no fim de sua vida. E, até aquele momento, guardou segredo sobre a jóia e sua história, bem como o peso da culpa pelo roubo. Mas, a partir desse momento, o medalhão passa a fazer parte da história da neta. Recém-divorciada, ela enxerga uma oportunidade de se encontrar e se distrair. Não apenas um recomeço, como também uma restituição histórica. Nesse ínterim, a jovem parte para Budapeste, entrando em contato com pessoas especializadas em restituir objetos perdidos às famílias de origem. Seja como for, agora passamos a conhecer Nina. E a sofrer com o mistério da origem do medalhão, que parece estar para sempre perdida. Nesse ponto, Amor e Memória passa a tratar de um tema que, particularmente, adoro: feminismo. Apesar de ser uma jovem judia nos idos de 1913, Nina não se contenta com a vida que seu pai planejou para ela. Não quer o casamento arranjado e quer se tornar a primeira médica mulher de Budapeste. Estuda muito para isso e também se envolve com o movimento conhecido como Sufrágio. Sua personalidade forte é tida como histeria e ela passa a visitar um psicólogo. É dele, inclusive, o ponto de vista que conta a história de Nina e sua amiga anã, Gizella. Fortemente julgadas, as duas se tornam melhores amigas e, mesmo contra todas as possibilidades, participam ativamente do movimento feminista. “Já fui como você. Vivia num mundo coberto por um véu, uma trama de mentiras onde coisas como o amor importavam. E, de repente, tudo desmoronou. Foi tudo estraçalhado, rompido, destruído.” – p. 151 É fascinante poder acompanhar uma perspectiva diferente acerca do tema. Quando estudamos a II Guerra Mundial, o foco se concentra na Alemanha, obviamente. Mas Amor e Memória me trouxe a oportunidade de saber um pouco mais sobre como tudo aconteceu em um outro país. Como mesmo antes de o nazismo explodir, os judeus já eram um povo rejeitado e maltratado. Enfim, quase ao fim da história, podemos saber a verdadeira origem do medalhão. Depois de aparecer e desaparecer infinitas vezes, é um alívio descobrir de onde e como ele surgiu. E ao, fim, também, podemos sentir a tristeza e o peso do encerramento de uma série de eventos trágicos. Apesar de se tratar de um romance, o livro também é denso. Por vezes, pesado. Tanto a história real quanto a fictícia. Sua leitura é um pouco mais lenta. É dividido em 5 partes e todas elas são muito bem amarradas e consistentes. Cada parte trata de um contexto histórico, social e cultural diferentes. Os personagens também são diversos e muito bem construídos, explorados e escritos. A autora conduz tudo de forma maestral e sua escrita é viciante. Ao mesmo tempo em que desejamos saber o fim, também ficamos com medo do que pode acontecer na página seguinte. Inegavelmente, Amor e Memória é uma preciosidade para quem gosta de romances históricos semi-fictícios. Sua capacidade de envolver o leitor, de levá-lo àquele exato momento, é incrível. A história também é apaixonante. E, portanto, a leitura é imprescindível. Não apenas pela leitura em si, mas por adicionar muito ao repertório histórico e social. Por: Victoria Rigotti Site: www.coisasdemineira.com/resenha-amor-e-memoria-um-livro-incrivel-sobre-uma-historia-nao-tao-incrivel/

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    Ayelet Waldman

    Ayelet Waldman é uma escritora israelense. Graduou-se em Direito em Harvard, tendo sido colega de turma de Barack Obama.

    3 Livros
    1 Seguidor

    Ayelet Waldman