Nos aforismos de Heráclito, a genealogia do ser, no sentido da negação, é projetada em um reduto de discurso que Elizeu Moreira Paranaguá sintetiza em seu livro O fogo do invisível, ao apontar a sombra, dakonta em grego, ou Aparência, a qual intrigava obstinadamente os helenos. Na intenção intertextual de alcançar o Uno, os poemas de O fogo do invisível se fartam. A interação verbal concentra-se na metáfora. A disponibilidade de Elizeu Moreira Paranaguá está, por outro lado, no dizer-se filho de Orpheu e carregar "a flecha/para cravar a maçã no abismo" onírico onde florescem girassóis entre pântanos. A nudez diante de Deus é um rapto à sombra. A juventude era celebrada na antiguidade em um deus (JOVE) cultuado entre o gregos. Da juventude fica-nos sempre a brevidade de um vôo de pássaro. O anel estrelado do cisne, segundo Elizeu, está na curva do pescoço da ave e desce aos pés desenhando uma constelação entre o céu e o abismo de trevas do pensamento que o vento move. A metafísica de toda margem está em fazer-se outra margem com um duplo. A ausência de costume (a-more) deixa-nos um vão que é abismo, "tirania" da paixão, que a cura pela dor. Holderlin em um de seus poemas imortais une Entusiasmo e Dor em um só corpo. Ali se "enxerga a luz cega de Deus", conclui Elizeu. A poesia toca nas coisas e as transforma em mito ou metáfora. Nisto se pode dizer que Elizeu Moreira Paranaguá não nega o Oráculo. O fogo do invisível é leitura interminável.
O Fogo do Invisível -
Elizeu Moreira Paranaguá
Fundação Cultural do Estado da Bahia
2006
97 páginas
3h 14m
ISBN-10: 8575051601
Português Brasileiro
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