O Fogo do Invisível -

    Elizeu Moreira Paranaguá

    Fundação Cultural do Estado da Bahia
    2006
    97 páginas
    3h 14m
    ISBN-10: 8575051601
    Português Brasileiro

    Nos aforismos de Heráclito, a genealogia do ser, no sentido da negação, é projetada em um reduto de discurso que Elizeu Moreira Paranaguá sintetiza em seu livro O fogo do invisível, ao apontar a sombra, dakonta em grego, ou Aparência, a qual intrigava obstinadamente os helenos. Na intenção intertextual de alcançar o Uno, os poemas de O fogo do invisível se fartam. A interação verbal concentra-se na metáfora. A disponibilidade de Elizeu Moreira Paranaguá está, por outro lado, no dizer-se filho de Orpheu e carregar "a flecha/para cravar a maçã no abismo" onírico onde florescem girassóis entre pântanos. A nudez diante de Deus é um rapto à sombra. A juventude era celebrada na antiguidade em um deus (JOVE) cultuado entre o gregos. Da juventude fica-nos sempre a brevidade de um vôo de pássaro. O anel estrelado do cisne, segundo Elizeu, está na curva do pescoço da ave e desce aos pés desenhando uma constelação entre o céu e o abismo de trevas do pensamento que o vento move. A metafísica de toda margem está em fazer-se outra margem com um duplo. A ausência de costume (a-more) deixa-nos um vão que é abismo, "tirania" da paixão, que a cura pela dor. Holderlin em um de seus poemas imortais une Entusiasmo e Dor em um só corpo. Ali se "enxerga a luz cega de Deus", conclui Elizeu. A poesia toca nas coisas e as transforma em mito ou metáfora. Nisto se pode dizer que Elizeu Moreira Paranaguá não nega o Oráculo. O fogo do invisível é leitura interminável.

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    Rafael Noronha Reis picture
    Rafael Noronha Reis12/09/2014Resenhou um livro
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    POEMA PARA GUARDAR AS COISAS Guarda as coisas que são tuas para que ninguém possa roubá-las; guarda-as debaixo da Pedra oculta, para que o Tempo não as destrua; guarda, mas não as esconda; necessariamente guarda as coisas no teu coração. GRITO DA PEDRA Minha palavra cresce como grito que chora acima das aves e do vento desde o alvorecer Minha palavra avança de grito até as estrelas de grito até as dores Minha palavra anima a pedra que se forma na porta do invisível Minha angústia cresce como se fosse um raio que corta a solidão de Deus

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