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    Folhas Inúteis -

    Aldous Huxley

    Biblioteca Azul
    2014
    427 páginas
    14h 14m
    ISBN-13: 9788525010797
    Português Brasileiro
    3.8
    99 avaliações
    Leram144Lendo19Querem391Relendo2Abandonos9Resenhas14
    Favoritos5Desejados391Avaliaram99

    Irônico, elegante, um crítico de seu tempo. Assim Aldous Huxley era visto pelo meio intelectual inglês nos anos 1920, quando seus primeiros livros chegaram a público. Este "Folhas inúteis", que a Globo Livros, pelo selo Biblioteca Azul, recupera de seu acervo em nova e revisitada edição, se demarca pelo senso de argumentação sedutor que marcaria toda a obra do gênio inglês. Com diálogos de tirar o fôlego, descrições ambivalentes e reflexões demarcadas em ritmos e tons dos mais diversos, o romance, publicado pela primeira vez em 1925, traz a base fundamental do que viria a ser o estilo do autor. Parte marcante da obra e do estilo de Aldous Huxley se dá pela profusão e pela vitalidade atemporal de reflexões sobre ideias abstratas, sobre temas filosóficos. Assim o autor inglês ficou conhecido, em especial por "Contraponto" e "Admirável mundo novo". Suas obras apresentam uma espécie de inteligência que está ali ativa a todo o momento e que o leitor, sutilmente, capta nos diálogos e nas digressões do narrador. Este "Folhas inúteis", de 1925, é apenas o terceiro romance de Huxley e já então o consagrava como um dos principais nomes da literatura inglesa moderna. Espécie de marco em sua bibliografia, um prenúncio dos temas sobre os quais se debruçaria em obras posteriores, há um traço de espírito próprio do gênio, que dedica suspeitas sentimentais, dores do coração e os inumeráveis conflitos da mente diante de uma sociedade que a achata, a uma classe de escrita sensível, de junção de proeza técnica com paixão humana. Um fino retrato de um grupo que se encontra em um palacete italiano para discutir cultura, sociedade, o seu tempo. Ou antes, para lerem-se um ao outro nas entrelinhas de cada convite, pergunta ou comentário carregados de uma segunda intenção que salta à vista, tal qual o coração deixa falar nessas horas. Ou as máscaras sociais que são pouco a pouco desveladas no contato com o outro, ora na figura da imponente sra. Aldwinkle, ora no tato atrapalhado de cada um dos personagens que com ela interage. Uma marca de Huxley que podemos ver com clareza neste "Folhas inúteis" é que o foco narrativo se desloca com facilidade por entre os espaços e por entre os personagens, como se parecesse perdido, buscando uma mão que o guie. Há, visivelmente, uma frustração perene no ar. Uma ânsia de recuperar um passado renascentista mas que não se resolve, por mais que o grupo ali se esforce para disfarçar isso. Neste sentido, a iniciativa do selo Biblioteca Azul, da Globo Livros, tem o seu maior mérito: passado quase um século desde a publicação da obra, em 1925, esse tipo de jogo social ainda dá as cartas em nossa sociedade, no conflito entre as glórias do passado e de nossas gerações passadas de grandes feitos com o vazio do presente.

    Resenhas (14)Ver mais
    Willian Silva picture
    Willian Silva03/04/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Estamos na Itália, a perfeita Itália aristocrática intacta da imaginação burguesa inglesa. Essa Itália. Dominando a cidade de Vezza de sua localização no topo da colina está o enorme palácio construído pelos Cybo Malaspina, uma espécie de eminente família renascentista. O palácio foi comprado por uma inglesa, a Sra. Aldwinkle. O palácio é onde ela reúne os personagens do livro para intermináveis discussões. Os personagens falam muito e longamente. É notável, e então se torna um pouco cansativo o quão limitados seus assuntos realmente são. Nada sobre ciência e tecnologia contemporâneas, nada sobre economia ou política, todas as coisas que teriam sido de interesse duradouro para o leitor de mentalidade histórica. O assunto mais cansativo é o amor. Todos os personagens falam longamente sobre amor. Torna-se muito enfadonho à medida que discutem interminavelmente o estado preciso de seus sentimentos mais sutis. E ao lado de amor, arte. Mais uma vez, essas conversas são consistentemente decepcionantes porque, apesar de todo o seu cinismo autoconsciente e "liberação" dos valores vitorianos, todos os personagens ainda pensam na arte nos termos mais clichês vitorianos, como algo a ver com tudo o que é bom e "nobre" e 'puro' e 'edificante' no 'espírito humano'. Uma das frustrações do livro é que esses personagens viviam o que nós, olhando para trás, pensamos como a grande revolução do Modernismo, na qual a poesia, os romances em prosa, a arte da fotografia, a pintura, a escultura, o teatro e o design, passaram por mudanças surpreendentes e revolucionárias e ainda assim, nenhum dos personagens parece perceber isso. A sátira de Huxley, muitas vezes desaparece por completo, tornando difícil saber quando os personagens estão ou não sendo ridicularizados.

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 99
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas35%
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    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas1%