Dois poemas para cada objeto
Estamos cercados de poesia. No entanto, uns não a veem, mas outros sim, estão sensibilizados com a beleza de todas as coisas, mesmo as mais prosaicas. Entre os últimos estão os escritores e editores Claúdia Brino e Vieira Vivo. Trata-se de um casal que toca um projeto literário, mais do que uma editora que se chama "Costelas Felinas". Eles promovem concursos, editam a revista trimestral "Cabeça Ativa", fazem mil e uma. A respeito do livro: um verdadeiro encanto. Para cada objeto, cada um dos dois fez um poema. E são todos um encanto. Cada nome de poema é o nome de um objeto, perfazendo vinte no total. Tem de "Fósforo" a "Narguilé". Leiamos os trabalhos para "Violão": "Forma arredondada, anca larga e cintura fina não é a mulher que passa é o violão que alucina. Cordas dedilháveis costurando a avenida não é empinando pipa que se aprende a melodia. Caixa de ressonância com formato de alegria. Com seis ou sete cordas diferentes cantorias." (por Cláudia Brino) "Afagos de dedos em pelos de aço Curvas e formas soando ao vento Dentes - cravelhas sorrindo no canto Bocas e vãos exaltando acalantos Mãos percorrendo atalhos sonoros Suor e madeira íntimos ao peito Bordões tatuados com ritmo e graça Criando no homem uma extensão de si mesmo." (por Vieira Vivo) "Objetos D'Versos" é um livro delicioso, uma viagem pela nossa própria casa, além de ser um convite a poetar junto.
