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    O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro -

    Sérgio Sant'Anna

    Companhia das Letras
    2014
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788535925012
    Português Brasileiro
    4
    42 avaliações
    Leram52Lendo3Querem45Relendo2Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados45Avaliaram42

    Um grande marco da literatura brasileira em edição revista pelo autor. Numa de suas raras declarações públicas, o escritor Sérgio Sant'Anna afirmou: "Me dou melhor com formas mais breves. Tenho muito mais tendência à narrativa curta do que ao romance. O conto me permite experimentar mais". Se os espantosos romances do autor estão aí para desmentir em parte tal afirmação, não se pode negar que o conto é o espaço onde Sant'Anna parece mais à vontade para jogar com as palavras. Assim, o conhecido gênero ganha novas abordagens, num registro que combina com maestria a alta e a baixa literaturas, o erudito e o pop, o sagrado e o por vezes indescritivelmente profano. Num tom cortante e desconcertante, o autor passeia por cenários familiares e aponta ao leitor as possibilidades narrativas escondidas por eles. Onde vemos esgotamento, o autor vê um campo de possibilidades, como se o mundo enxergado por ele exigisse uma radicalização da linguagem e das formas de expressão. Publicado no início dos anos 1980, O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro arrebatou crítica e público, e colocou Sant'Anna definitivamente no mapa das letras brasileiras. Um livro que marcou o início de uma geração deliciosamente livre, e cujas influências se fazem sentir até os dias de hoje. "Sérgio Sant'Anna, inteligente demais para produzir meras historinhas, prefere mergulhar nas infinitas possibilidades da palavra escrita em busca de um mínimo de verdade. E com raro talento." - Caio Fernando Abreu "São autores [Sérgio Sant'Anna, Rubem Fonseca e Luiz Vilela] que concorrem poderosamente para fixar a fisionomia do nosso conto moderno; eles escrevem como nunca se escreveu no Brasil; depois deles, o conto brasileiro guardará para sempre o sinal de sua passagem" - Wilson Martins

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    jota 11 picture
    jota 1111/10/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    BOM: doze contos (“formas breves”) que em grande parte tratam de memória, autoficção, experimentalismo e sexo

    Tempos atrás o site da Amazon reproduziu uma afirmação de Sérgio Sant'Anna, que disse se dar melhor com formas mais breves de narrativas, contos, do que com romances, porque naqueles ele podia experimentar mais. De fato, os doze contos presentes em O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1982) parecem estar bem pouco para contos tradicionais e muito mais para “narrativas” (ainda que curtas ) ou “formas breves”, como preferia o argentino Ricardo Piglia. Assim, podemos iniciar a leitura de uma dessas formas breves, por exemplo a primeira, Uma Página Em Branco, que começa assim: “Uma página em branco a oferecer todas as possibilidades, o papel aceita tudo.” O papel aceita tudo e o leitor também vai aceitar, nem de longe vai conseguir imaginar como essa narrativa vai se desenvolver e terminar. O tradutor dos livros de SSA publicados na Argentina é, curiosamente, o escritor César Aira, também um apreciador de narrativas curtas e insólitas. Muito insólitas, na verdade, como algumas que encontramos aqui. E há outro argentino com quem os textos de SSA dialogam bastante: seus contos se assemelham um tanto aos de Julio Cortázar, que muitas vezes são labirínticos. Ambos os autores têm uma imaginação pródiga e ela vai levar o leitor para descaminhos tantos que algumas páginas depois do início de uma história ele nem mais vai se lembrar como tudo começou e vai se perder até que essa história (ou histórias que vão surgindo) chegue ao final. Que, quase sempre, é bastante surpreendente. Em O Submarino Alemão, uma autoficção, temos SSA e uma obsessão onírica, quer dizer, entender um sonho de seu pai, que havia encontrado um submarino alemão afundado, dentro do qual havia esqueletos e um mapa. Ele queria entender o significado disso, e se o leitor acha que vai ter Freud como citação está completamente certo. Mas tem muito mais, porque se se fala o tempo todo do sonho, também se fala no trabalho da escritura ficcional. Ao final SSA imagina como aqueles louros rapazes, com o afundamento do submarino – e como metáfora, do império nazista – agora valem o mesmo que peixes mortos. Experimentalismo, memória e sexo são característicos nos contos do autor. Num dos últimos textos do volume, O Sexo Não é Uma Coisa Tão Natural, as coisas são chamadas pelos seus nomes populares, mas o modo como ele fala delas não é nada popularesco, assim como nos demais textos. Pode lembrar um pouco Rubem Fonseca, mas este fala mais cruamente sobre sexo do que SSA. Quanto a experimentar e puxar pela memória, fato e ficção, as coisas também vão bem longe no conto que dá título ao livro, esse do concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro, mais especialmente no famoso Canecão dos anos 1970, que não houve. Se começamos com Uma Página Em Branco, terminamos com o estranho Conto (Não conto), assim mesmo, que é sobre um lugar vazio, onde pouca coisa existe, uma cobra e alguns insetos. Mas surge um homem montado num cavalo, que é picado pela cobra, o cavalo, não o homem. E mais não vou contar, como diz o subtítulo, entre parênteses. E tome metalinguística sobre a existência do homem, do cavalo, da cobra, do conto, do próprio autor... Lido entre 01 e 08 de outubro de 2025.

    5 curtidas

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