Etnografias possíveis - experiências etnográficas sobre consumo no ambiente urbano

    GOIDANICH, Maria Elisabeth; MEZABARBA, Solange Riva

    Ponteio
    2014
    267 páginas
    8h 54m
    ISBN-13: 9788564116771
    Português Brasileiro

    Carmen Rial acerta em cheio ao dizer, no prefácio do livro, o quanto a etnografia, ao mesmo tempo em que ganhou novos campos, perdeu elementos que a caracterizavam em seu escopo inicial. A etnografia vem sendo cada vez mais empregada como recurso de pesquisa nas grandes empresas. O que poucos pesquisadores de mercado sabem, no entanto, é que a etnografia é um modo de pesquisar que tem origem na antropologia. O objetivo do livro não é, de modo algum, disputar o conceito, mas antes, dar a conhecer modos de se fazer uma pesquisa etnográfica considerando os elementos do seu escopo inicial e adaptando-a aos estudos de consumo no ambiente urbano. Nesta obra, as organizadoras convidaram autoras que optaram pela etnografia em seus trabalhos acadêmicos, a dividirem com o leitor as suas experiências de campo. Algumas dessas autoras, que também possuem vínculos com o trabalho de pesquisa de mercado, proporcionam ao leitor o conhecimento de algumas possibilidades de pesquisa etnográfica, abordando, não só a riqueza de dados que ela proporciona, mas seus percalços, dilemas e dificuldades. Etnografias possíveis é um livro indicado para pesquisadores da academia e do mercado que desejam mergulhar no fascinante mundo do consumidor usando os recursos etnográficos como um meio seguro para ganhar mais profundidade neste mergulho.

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    Tauana Weinberg Jeffman picture
    Tauana Weinberg Jeffman19/09/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Possibilidades

    Sobre o livro: Será que a minha pesquisa é de fato uma etnografia? Será que estou no caminho certo? Será que posso usar outra técnica de coleta de dados? Será. Será, será.... Isso é o que eu mais me pergunto durante o desenvolvimento da minha pesquisa. Por não ser antropóloga de formação (apenas de coração), me inquieta a sensação de que não estou fazendo jus à Malinowski. Estou descobrindo esse caminho, como um cego tateia as paredes de um corredor que não conhece. Sem bengala, sem cão-guia. Apenas drama (me deixe dramatizar, obrigada). Meus únicos aliados, como sempre, são: os livros. Mas do mesmo modo que alguém recém-alfabetizado não sabe muito bem o que escolher na hora de ler, eu também não tinha muita noção de que autores e pesquisadores deveria ler (abusando de metáforas mode on). Claro, você começa a pesquisar pesquisas, pesquisar artigos, stalkear currículo lattes alheio. E começa a entender os paranauês da pesquisa em questão. No entanto, esta fase pode se mostrar um tanto quanto demorada e cansativa. Então, eis que surge esta publicação, que não apenas reúne diversas etnografias sobre consumo, mas dá enfoque no fazer etnográfico. Nas decisões, nas apreensões, no trajeto, no medo, no afeto. Você percebe que incertezas, inconstâncias e inseguranças são normais em qualquer tipo de pesquisa. Eu ainda tenho sorte por pesquisar um objeto que não coloca minha integridade física em risco (Miller, fazendo etnografia na Jamaica, perguntou para o pessoal por que eles utilizavam o celular. Prontamente responderam: ‘pra matar gente’). Terminei a leitura um pouco mais tranquila, sabendo os autores essenciais (que constaram em praticamente todas as bibliografias). Além disso, percebo ainda mais que cada etnografia é única, particular. O fazer etnográfico não tem receita, não tem manual. Mas com essa leitura, eu vejo a luz no fim do túnel. E isso é bom.

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