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    This Changes Everything - Capitalism vs The Climate

    Naomi Klein

    Simon & Schuster
    2014
    566 páginas
    18h 52m
    ISBN-13: 9781451697384
    5
    1 avaliação
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    Luis Paulo picture
    Luis Paulo30/11/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    This changes everything: Capitalism vs the Climate

    O livro "This changes everything: Capitalism vs the Climate", da escritora canadense Naomi Klein, está para o movimento climático assim como o livro "Primavera Silenciosa", da americana Rachel Carston, está para o movimento ambiental. Se na década de 60 o último transformou a história do ambientalismo, Naomi Klein produz um livro capaz de influenciar profundamente o ativismo climático e maneira como o público em geral percebe o tema. Isso porque o livro discorre com enorme detalhamento sobre vários aspectos das mudanças climáticas, envolvendo cultura, economia, meio ambiente e sociedade. Embora tenha sido escrito antes do Acordo de Paris, que atualmente orienta a governança global da crise climática, Klein faz discussões indiscutivelmente atuais. Afinal, hoje mais do que no passado, embora as mudanças climáticas dominem o discurso político, os dados mostram que a trajetória ascendente de emissões de gases de efeito estufa têm nos direcionado a um futuro que será hostil à vida. A autora discorre longamente como muitas das 'soluções' propostas para a mitigação da crise climática (mercados de carbono, compensação por emissão de gases, etc) assentam-se sobre as mesmas premissas que causaram a crise, que é o extrativismo. Todas essas 'soluções' falham em remover a licença social da extração dos combustíveis fósseis. Para ela, ainda que fosse bem intencionado (o que não é), o capitalismo é incapaz de fornecer uma resposta adequada às mudanças climáticas, justamente porque seus fundamentos são inerentemente extrativistas. Um ponto especialmente profícuo do livro é a discussão sobre geoengenharia. Nela, Klein nos faz refletir sobre a nossa incapacidade de conceber um modelo de sociedade fora do extrativismo. Por isso, nós nos arriscamos perigosamente a propor alterações na engenharia planetária, sem conhecer os riscos envolvidos nessa aventura. Ou, conhecendo-os, assumindo-os quando as consequências recaem sobre aqueles desprovidos de poder econômico e político. Tudo sob a cunha de ser uma esperança tecnológica de salvação quando a diplomacia falhar, para que não tenhamos que alterar as estruturas que mantém os atuais padrões de consumo de uma elite que absorve grande parte do que é produzido no mundo. Outro ponto forte é a discussão sobre os movimentos de resistência ao cenário de crise climática, que a escritora chama de Blockadia. Esses movimentos existem desde sempre, nas pequenas comunidades, nas populações tradicionais, nos povos originários e em todos aqueles que são historicamente marginalizados da tomada de decisão, mas que são os primeiros a sofrerem as consequências negativas dela. Historicamente silenciados, esses movimentos têm ganhado evidência em vários setores da sociedade nos últimos anos e acumulado vitórias expressivas, apesar de ainda serem reprimidos com rigor, e são os únicos capazes de propor estruturas fora do modelo extrativista e que possam garantir um futuro mais sustentável. Ainda lembrando "Primavera Silecionsa", o livro de Naomi Klein é um relato pessoal com beleza literária, que mostra o desenvolvimento da compreensão da autora sobre o problema, como isso promoveu seu engajamento com as questões climáticas e como define suas esperanças para o futuro. Esse subjetividade favorece o envolvimento do leitor, que muitas vezes é leigo nas questões mais técnicas sobre o tema. Evidência disso é o capítulo no qual a escritora relaciona sua história pessoal com a maternidade e seu envolvimento com as questões climáticas, elucidando como a primeira influenciou a maneira como ela se posiciona atualmente sobre a crise. Ao final do livro, a autora se propõe a discutir se, diante da dura realidade dos fatos, ainda é possível esperançar por uma solução para a crise climática. Sem dúvidas, essa solução passa necessariamente por uam transformação radical nos pilares da sociedade, para a qual é difícil traçar paralelos na história. Ela nos lembra de alguns momentos na história que podem nos dar alguma esperança: o movimento abolicionista, os movimentos pelos direitos civis, o movimento contra o apartheid, as lutas sindicais pós crise de 1929, entre outras. Entretanto, a autora ressalta que, apesar de terem sido pontos de inflexão que questionaram a moral do status quo da sociedade em seu tempo e modificaram suas estruturas, como precisamos fazer com a crise climática, muitos desses movimentos mantiveram as estruturas econômicas relativamente intactas (por exemplo, apesar do fim da escravidão, os negros continuaram marginalizados na sociedade). Para Klein, a radicalidade do enfrentamento às mudanças climáticas demanda a alteração dessas estruturas, ilustrando a magnitude do desafio a ser superado.

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    Naomi Klein

    Naomi Klein (Montreal, 1970) é uma jornalista, escritora e ativista canadiana. A carreira de escritora de Klein começou cedo com contribuições ao jornal The Varsity na Universidade de Toronto, escrevia sobre feminismo. Em 2000 publicou No Logo (em português Sem Logo - A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido), que para muitos se transformou em um manifesto do movimento antiglobalização. O livro traz efeitos negativos da cultura consumista e as pressões impostas de grandes empresas sobre seus trabalhadores. Uma das grandes criticadas é a Nike, que em suas filiais no sudeste da Ásia, segundo Klein, tortura os trabalhadores para que estes cumpram as metas da empresa. Klein recebeu resposta da Nike por isso. Em 2002 publica Fences and Windows (em português Cercas e Janelas), uma coleção de matérias escrita por ela sobre o movimento antiglobalização no mundo como movimento zapatista e os protestos contra OMC e FMI. Klein também escreve regularmente para os jornais The Nation, In These Times, Canada's The Globe and Mail, This Magazine e The Guardian. Em 2004 Klein e o marido Avi Lewis fizeram um documentário chamado The Take onde contam sobre os trabalhadores autônomos na Argentina. Em outubro de 2005 esteve em 11ª lugar na enquete sobre os intelectuais de 2005 promovida pela Revista Prospect. Em setembro 2007, Naomi Klein publicou o livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism (em português A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre), no qual descreveu como as empresas aproveitam dos desastres naturais, das guerras ou outros choques culturais para avançar políticas de liberalização econômicas. Isso produz empobrecimento das populações, enriquecimento de uma minoria de capitalistas sem escrúpulos e, normalmente, tumultos os quais o governo apaga com o uso da força. Naomi Klein descreve os procesos com o auxílio de exemplos: o Chile do Pinochet, o Brasil e a Argentina das ditaturas militares, a China das repressões depois dos tumultos da Praça da Paz Celestial.

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    Naomi Klein