A coletânea Nada será como antes reúne contos distópicos de vinte autores nacionais. Inclusive eu faço parte e, após ler o trabalho dos outros vinte autores, fiquei um pouco envergonhada com meu conto. O O que é real?, escrito por mim, é o único do livro que é mais poético. Como eu não tenho intimidade (e confesso que me falta criatividade) para inserir robôs, extraterrestres, naves e tudo que o valha (como os outros autores fizeram), o meu saiu um pouco do contexto.
Ao ler as páginas, pude perceber uma coisa: o quanto nossa literatura não é tão valorizada como devia. Os autores, apesar de anônimos, possuem uma escrita madura e instigante, que me prenderam até o último conto, coisa que seria bem difícil para alguém que não curte muito essas distopias. Aliás, não curtia, até ler a coletânea.
A riqueza de detalhes, os cenários descritos, diálogos, tudo precisamente colocado para nos fazer sentir o mundo pós-apocalíptico em sensações e cores, muito mais profundas que um filme. Quantas vezes, ao ler as obras que descreviam ferimentos e a angústia dos personagens, eu senti um arrepio de medo e aflição. Pena que o livro é curto, pois esse tema enreda histórias muito boas.
Parabéns a todos os autores do livro e espero vocês numa próxima coletânea! E saibam que, graças à leitura deste, meu gosto literário não será como antes, nem a Avenida Rio Branco!
Agora meu sonho de consumo é ganhar um aparato, mas acho que estou velha demais para ter um (só os fortes entenderão).
Cinco estrelas!