E assim, o início do fim da hegemonia dos Deuses começa... Mas antes de chegar ao final desta jornada, entre muitas reviravoltas, traições e mortes que acontecem, é crível que durante tais acontecimentos desta saga Red Rising, o destaque é o crescimento e as mudanças que o protagonista desta história sofre durante o seu progresso.
Narrado em primeira pessoa, pela perspectiva do Darrow, "Fúria Vermelha" se passa em uma realidade onde o homem já colonizou Marte. Pertencente à classe mais baixa que constitui o sistema de casta da sociedade em que vive, Darrow possui um pensamento bastante conformista com a sua realidade e o seu mundo. Entretanto, isso muda quando um certo acontecimento, que será usado como o motivador de suas ações, causa uma mudança não apenas em si, mas para um sistema inteiro.
Além do fato da narrativa conter vários plot twists, que para mim, é um dos pontos fortes da obra, Pierce Brown também agrega a ela diversas referências de mitologia, de filosofia política e científica, algumas das quais se referem hipoteticamente a processos da engenharia planetária que realmente existem e estão sendo estudadas para a evolução e existência da nossa sociedade na colonização da raça humana em Marte, um tema já frequente no meio da ficção científica.
Devido as várias informações que são jogadas inicialmente, se não prestar uma devida atenção nelas você se perde; para mim, que fui lendo atento aos detalhes, tornou-se em certas partes confuso, então imagine para quem não leu desta forma. Porém, com o tempo natural de leitura fui me habituando, com uma certa paciência, fui compreendendo sobre o universo criado e a realidade em que o personagem principal se encontrava. Outros personagens, alguns dos quais também serão os principais ao longo da trilogia, vão sendo apresentados durante a leitura, com as intrigas e laços que são construídos e desenvolvidos entre eles, a princípio, para mais tarde dar uma carga emocional ainda maior à trama; dentre eles, gostei bastante de Sevro, um personagem inesquecível, principalmente pela forma simpática que ele fala, um "gentleman" completo.
O enredo, por si só, traz uma série de acontecimentos dramáticos onde, assim que um termina, surge outro logo em seguida, dando aquela sensação de que não haverá "calmaria" em momento algum. Com a presença de vários saltos temporais que ocorrem, partindo de dias, meses e até anos, são adicionados acontecimentos em que você não sabe o que aconteceu durante o período este que foi pulado; em outros casos, são algo facilmente interpretativos, compreendidas conforme se avança na leitura.
Outro ponto a ser abordado é que ‘"Fúria Vermelha" também não foge de comparações com outros livros, como, por exemplo, "Jogos Vorazes", que foi lançado seis anos antes da primeira publicação desta obra do Pierce Brown (2014), muito embora eu pense que tal comparação é mais pelo que acontece neste primeiro livro, apenas. Mas pessoalmente falando, creio que o maior paralelo que se possa fazer, de uma forma geral, e que ficou ainda mais claro depois de saber pelas próprias palavras do autor, é que em relação a essência de Red Rising, ela é mais parecida com as obras dos autores Frank Herbert (Duna) e Alexandre Dumas (O Conde de Monte Cristo), que foram a sua fonte de inspiração para escrever a sua história.
E como não deixar de citar, tenho que elogiar bastante a construção do protagonista; sendo mais incisivo no desenvolvimento dele, ‘’construção’’ não seria bem a palavra certa, e sim, reconstrução. Lembrou, e muito (como já foi mencionado pelo próprio autor sobre as origens da sua inspiração), o Edmond da obra "O Conde de Monte Cristo". O personagem sai da pior condição possível para chegar a uma posição superior e "confortável" o bastante para atingir os seus objetivos, se tornando parte daquela típica boa história de vingança. Apesar disso, digamos que o Darrow apanha bastante para pensar em chegar aonde quer que ele queira chegar, muito mais que o Edmond.
Esta trilogia Red Rising, do autor americano Pierce Brown, sem dúvida, em sua grande maioria, merece todas as opiniões e impressões positivas que são lidas por aí; creio que para muitas dessas pessoas, assim como foi para mim, tornou-se difícil não ter criado certo hype, procedido, em consequência desta expectativa, do receio de comprometer a experiência da leitura.
Sendo assim, depois de ter concluído os três livros, eu recomendaria esta obra para quem curte o gênero de ficção e distopia ao estilo Jovem-Adulto (YA). Entretanto, vale o alerta: a violência aqui, junto aos gatilhos, é bastante presente, diria que o primeiro livro é o mais brutal entre os três. Se é algo que não te incomoda muito, leia.