O livro que o leitor tem em mãos não é um estudo sobre o crack. Ele não foi escrito por um estudioso ou 'especialista' no assunto. Os textos que seguem nesse livro não são o produto de leituras sobre aquilo que outros escreveram sobre isso. Não são o resultado de curiosidade, intelectual ou exigências de ofício. Aqui, o leitor não encontrará o vigoroso debate teórico, a minúcia dos dados estatísticos, a rigorosa objetividade e imparcialidade científica. Ele é o relato de alguém que viveu essa realidade e sobreviveu. É parte de uma vida, não o produto do conhecimento acumulado no conforto e segurança dos bancos escolares, laboratórios ou gabinetes. Não é a voz dos 'especialistas' que falam sobre essa realidade e nem a dos 'zumbis' que sobrevivem, apenas a um olhar do chão e um dia logo aberto - sem o pedestal ou a barricada dos livros e os interlocutores ou intermediários teóricos. Porque a vida é maior e o homem infinito.