Antes de começar a resenha, quero ressaltar que esta resenha está no meu blog. Quem desejar me ajudar dando uma força e visitando, este é o link: https://osmoseliteraria.blogspot.com/2020/07/cronicas-inteligentes-privocativas-e.html
Simplicidade, humor, estilo ferino que soa engraçado e leve e que atinge certeiramente o leitor, sem firulas, mas com muita maestria. "O Romance Morreu" apresenta as diferentes concepções num estilo de escrita único de Rubem Fonseca, consagrado escritor de romances policiais que faleceu no começo de 2020. Esse livro de crônicas variadas, publicado em 2007, aborda diversos temas, temas os quais o autor vivenciou, ou discorreu ao longo de sua vida como jornalista, comissário de polícia e literato. Rubem Fonseca teve uma vida polivalente, relatando também neste apanhado de crônicas a sua infância, numa espécie de artifício onde se coloca como personagem e narrador, uma fuga explicita de um alter ego.
O livro é uma coletânea de crônicas que abordam diversos aspectos da vida do autor. Textos que vão desde as experiências pessoais, vida cosmopolita em Berlim no período da Guerra Fria, viagens como a Israel, conversas com escritores em restaurantes em Nova York e vai até ao discorrer sobre coisas como a pele do corpo, masturbação, discussão sobre estética, emails e spam, cinema, Copa do Mundo e etc. A livro ainda traz aquela abordagem de cronista noir, o humor da vida simples, as passagens do autor quando era comissário de polícia até uma "mini crônica" dividida em 5 partes sobre a infância no Rio de Janeiro. O humor ácido de Rubem Fonseca alternado com um estilo próprio e quase desinteressado de compor uma descrição dão o tom certeiro aos seus textos. Sacarmos, ironias, irreverência e críticas ácidas e tenazes ao padrão de vida contemporâneo, a pressa, a insensibilidade.
Rubem escreve nestas crônicas como se estivesse conversando com o leitor, a maneira desenvolta e simples de comunicar-se com quem lê. A crônica que dá nome ao título do livro "O Romance Morreu" é uma típica análise contundente do papel da literatura na vida das pessoas. Dando o tom de filósofo da "vida comum" ele traça uma brilhante escrita sobre como o gênero do romance, entendendo as referências do passado sem deixar de expressar a preocupação com a literatura. É importante ressaltar que o romance não irá acabar porque o público não irá acabar, mesmo que ele permaneça diminuto. O interesse por boas histórias, embora diminuto pelo grande público, ainda permanecerá vivo pelo cultivo de poucos, mas fundamentalmente importantes indivíduos que ainda mantém suas atenções a literatura. O "seleto público" agradece a esse grande literato chamado Rubem Fonseca, por suas obras, seu estilo "peculiar", pela sua desenvoltura no fazer literário. Ele deixou a sua marca na literatura brasileira. E com certeza, o romance permanecerá vivo. Há muito por viver e ver. Haverá!