Lendo Ricardo Viel, Sobre a ficção, em entrevista com Milton Hatoum, ele pontuou três características do autor que podem ser lidas em todos seus livros. Então eu fui procurar em Cinzas do Norte. A Primeira é a fronteira social e simbólica que observamos entre militares e liberais (artistas) , lembrando que o autor passou pela ditatura do “faça o que mando” contra o “eu quero ser livre para criar e mudar”. A segunda é o pertencimento à família e a exclusão. Mundo foge da família em que “sangue e afeto não falam a mesma língua”. É excluído pelo pai que quer que ele seja outra pessoa. E ao mesmo tempo é exilado no seu interior (a terceira): sente-se deslocado também da escola, na profissão. De alguma forma se encontra na arte, que é uma forma de exílio: uma possiblidade de externar as próprias emoções na pintura, na escultura, na instalação, na literatura como fez o autor. Ser artista incomoda porque “educa a alma para não ser pobre de espírito”. Além disso permite indagar o mundo e o autoconhecimento. Confesso que tinha uma expectativa maior para um romance que contém arte, haja vista que o autor era apaixonado por Gaudi que se inspirou em elementos da natureza e a história se passa no Amazonas. E os artistas do livro (Mundo, Arana e Tio Ran) eram bem medíocres. Ah e os cartoons de Mundo me lembrou Henfil que soube criticar com humor e até inspirou a anistia.

