Carnaval para quem é de carnaval, poesia para quem é de poesia.
Durante os anos 2010 pesquisei muito a literatura erótica e obscena, mas esse livro imprescindível da Maria Teresa Horta só me chegou em mãos esse fim de semana.
Lembrando que tanto a literatura erótica quanto a obscena comungam com Eros, a vitalidade pulsional, mas a obscena se apresenta como chiste para além disso.
Maria Teresa Horta neste livro é a pura sorvência sexual, escorre libido por cada palavra, é o erotismo battailiano em essência (o da sua teoria, já que na literatura ele era obsceno), é o erotismo do Eros sem a conspurcação cômica do chiste.
Muito feliz fiquei com a dupla epígrafe citando tanto Hilst quanto Cixous, Hilst em sua prosa provou que foi a rainha da obscenidade (gente, é pra rir da trilogia obscena e não se escandalizar), mas na sua poesia ela levava o Eros bem a sério.
Conhecia outros livros de poemas da Horta, mas este desde já se tornou o meu trabalho favorito dela.