As autoras dividem o 'Diálogo sobre o Corpo' em dois lugares - o corpo e o próprio diálogo. O primeiro tornou-se uma constante na história da cultura. Filosofado, teologizado, antropologizado, politizado, o corpo seria o lugar comum, não fosse o intangível que o significa como lugar in-comum - o corpo é o mais íntimo e o mais estranho. Puro movimento, o corpo é o que não sabemos, seu caráter intangível se dá na multiplicidade das verdades que o compõem em instância subjetiva e política. O corpo é o lugar de toda travessia na aventura humana. O segundo, nasce no processo como trama entre fios buscados para compreender o corpo, lugar inicial de investigação das autoras. O corpo é fundamento nos diversos sentidos que ele, como lugar, possibilita. O diálogo amarrava o momento em que cada troca de escrita, nesse meio tão atual do correio eletrônico, afectava uma nova escrita, uma nova idéia, uma nova inquietação. O instigante do diálogo desde os tempos de Platão, é a correspondência com um amigo e isso foi o que as autoras transmitem neste trabalho. O corpo fez com que as autoras caminhassem em subterrâneos, nas catacumbas dos conceitos, das teorias, do próprio pensamento e que são compartilhadas com o leitor nessa travessia de labirinto e o corpo de conhecimento.
