Quando li a sinopse achei muito diferente do que estou acostumada a ler, e achei a ideia bem legal.
Não sou fã de literatura erótica, acho que o sexo apenas pelo sexo narrado, é muito mais sexy quando não é tão explícito, onde a imaginação toma conta e a sensualidade é liberada, e não escrachada. Mas sendo uma pessoa de comunicação não me contive e fiquei curiosa para saber o que aconteceria, não pela história em si, pois é muito óbvio até para quem leu apenas a sinopse o que vai acontecer. Mas eu queria saber COMO aconteceria.
Queria ficar indecisa junto com Laura sobre assinar ou não o contrato. Queria que ela não tivesse cedido tão rapidamente (eu sei, eu entendo o motivo, mas este poderia ter sido utilizado posteriormente). Esperava bem menos chatice e um pouco mais de gratidão de Poliana, e um pouco mais de pé no chão em termos de valores, e fatos que estão no Brasil. A história se passar em NY não bate muito com o passado da personagem, eu fiquei com a impressão de que tudo foi conectado de qualquer jeito apenas para a história fazer sentido, não por ser verdadeira. Não comprei a história de vida das meninas e muito menos da mãe, me desculpe.
O pai do Rudy é um nojento e me impressionou ele obedecer as ordens de alguém tão cruel por tanto tempo. A maneira como ele aborda Laura também é desagradável, e tive a impressão que tudo se desenrola tão rapidamente que me deixou um pouco frustrada por ser rápido demais.
Algumas passagens da vida de Laura e Poliana são contadas muito rapidamente e sem profundidade, não dando chance de criar conexão com o leitor. Não vou dar spoilers aqui, mas elas tinham traumas fortes que foram resolvidos praticamente de uma página para outra sem maiores explicações. Além dos conflitos entre Rudy e Laura, que deveriam ter sido melhor trabalhados, sem tanta infantilidade e baboseiras.
Em quase todos os momentos a autora optou por usar clichês incrivelmente batidos, deixando a história sem um clímax. Sim, tem um suspense no começo, mas depois fica tudo monótono. Não existe mais vilão, não existe mais ressentimentos, não existe mais nada além de muito açúcar e sexo.
Nunca achei que diria isso pois sou uma pessoa pró-vida e sempre fico chateada quando um personagem morre, mas tem horas que temos que soltar as amarras. (A Culpa É Das Estrelas me ensinou isso. hahahahha)
Penso que o livro teria ganho uma emoção a mais do que indiferença se o final não fosse mais batido que pão sovado.
Na minha opinião faltou humanidade nas personagens, que ficaram fúteis e vazias. Faltou aquele toque de identificação que faz com que nos apaixonemos por alguns livros. Faltou também muita revisão de texto, pois encontrei erros grotescos de português. Erros que me tiravam a concentração da leitura. Nem a própria autora definiu como se escreve o nome da irmã da personagem principal.
É uma ideia boa, mal desenvolvida. E aquele bônus, apesar de contar o que aconteceu com a irmã, poderia ser cortado pela metade, pois é muito repetitivo. (A Poliana poderia ser cortada da história por ser muito ingrata e chata.)
Por falar em repetitivo, achei bacana colocar as visões de Laura e Rudy, mas confesso que achei muito chato e maçante quando outros contavam suas versões. Sei que existem maneiras diferentes de contar os detalhes, sem apelar para 6 narradores diferentes.
Algumas tiradas são boas, mas faltou cuidado, mais atenção, mais empenho e definitivamente mais criatividade para sair de situações não tão comuns, sem esbarrar no óbvio além da conta.
Ah, e a capa já dá um spoiler desnecessário.
‘Eu preciso descobrir tudo sobre a loira da cafeteria, não posso simplesmente chegar perguntando se ela está afim de fazer um filho comigo… Posso?’