Impressões
Urupês são aqueles cogumelos "orelhas-de-cobra", comuns no processo de decomposição da madeira. Chama-se assim urupês aquilo que cresce à toa, invade. Seguem minhas impressões da leitura. A obra Urupês, de Monteiro Lobato, reúne vários contos que podem ser considerados como cenas de um misto de tragédia e comédia. O principal cenário é o meio rural com suas lidas, costumes, linguagem, crenças e sofrimentos. A obra não chama atenção aos prazeres da terra, mas aponta os tormentos: a maleita, a saúva, a inveja, o ódio, a maldade, enfim, o mal está na natureza e está no homem. No conto Os faroleiros, narra-se como dois rivais são levados pelo destino a trabalhar num mesmo farol. Desfecho sangrento. Bom conto. O engraçado arrependido é um conto sobre um contador de piadas e fazedor de gracinhas que quis ser um homem sério. Esse conto me causou um farfalhar de risos por conta do estilo do autor. O desfecho é irônico. Muito bom conto. A colcha de retalhos é o conto mais triste do livro. Muito sofrimento e um final de cortar o coração. Muito bom conto. A vingança da peroba é uma advertência aos tolos. Dos que têm o coração sujo, até o pouco que têm lhes será tirado. Um bom conto. O suplício moderno é um conto referente à antiga profissão dos estafetas. O autor descreve vividamente a realidade daqueles homens e suas montarias para então desenvolver o conto com um personagem. Muito bom. Meu conto de Maupassant é um conto sobre remorso com um desfecho macabro. Não me impressionou. "Pollice verso" é uma crítica àquela medicina carniceira que cultiva pacientes em vez de curar. Muito bom. Bucólica é um conto cujo clima muda à medida que um fato triste vai sendo revelado. Um bom conto. O mata-pau é um paralelo entre a árvore homônima e sobre como se infiltra um parasita numa família. Muito bom. Bocatorta está mais para um conto de terror. Interessante, mas não me cativou. Bom. O comprador de fazendas é sobre um jovem que se passa por comprador de fazendas. Um dia a ironia do destino bate à porta. Muito bom. O conto O estigma introduziu para mim o termo face noruega, que é aquele lugar sempre sombreado que, apesar das plantas crescerem e terem folhas, jamais frutificam. O viver do protagonista com sua esposa era uma face noruega. Ótimo conto. Velha praga não é conto. É um manifesto de indignação do autor. Ele escrevia contra as tradicionais queimadas e não poupava os seus autores, os caboclos. Bom conteúdo.





