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    A Rainha Ginga - E de como os africanos inventaram o mundo

    José Eduardo Agualusa

    Quetzal Editores
    2014
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9789897221606
    Português
    4
    260 avaliações
    Leram395Lendo40Querem538Relendo0Abandonos10Resenhas25
    Favoritos3Desejados538Avaliaram260

    Este romance histórico narra a incrível e verdadeira história de dona Ana de Souza (1583-1663). Senhora de um reino poderoso nos vastos sertões da costa ocidental da África, dizimado e reconstruído vezes seguidas, ela exerceu seu poder com inteligência e originalidade. Astuta nas negociações políticas, a Rainha Ginga estabeleceu alianças diplomáticas com os holandeses, ao mesmo tempo em que comandava os seus exércitos contra outros reis africanos, e tropas luso-brasileiras. Ardilosa, vaidosa, adotou uma coleção de esposas (na realidade homens, vestidos como mulheres) e se casou várias vezes com chefes militares que desejava como aliados políticos. O renomado escritor José Eduardo Agualusa recupera a trajetória desta poderosa rainha, compondo uma história de amor, sexo e poder.

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    Ursula Vaz26/05/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A rainha ginga não é protagonista

    José Eduardo Agualusa é um escritor angolano nascido em 1960, conhecido por sua prosa rica e envolvente, que frequentemente aborda a história e cultura de Angola. Formado em agronomia e silvicultura, Agualusa rapidamente se destacou no mundo literário, ganhando diversos prêmios internacionais. A Rainha Ginga foi publicado pela primeira vez em 2014 e neste ano ganha uma nova e bela edição do sele Tusquets, da Ed. Planeta. O romance histórico "A Rainha Ginga" se passa no século XVII e é centrado na figura histórica de Ana de Sousa, conhecida como Rainha Ginga (ou Nzinga Mbande), uma das figuras mais emblemáticas da resistência africana contra a colonização europeia. Ginga foi uma líder carismática e estratégica do Reino de Ndongo e Matamba, na região que hoje corresponde a Angola, conhecida por sua astúcia política e habilidades militares. O livro retrata não apenas a vida de Ginga, mas também o contexto das guerras, alianças e tensões entre os reinos africanos e os colonizadores portugueses. Resumo do Enredo Apesar do título do livro, este romance é, na verdade, narrado por um padre italiano fictício, Francisco José da Santa Cruz, que acompanha de perto a trajetória de Ginga. O padre, incumbido de convertê-la ao cristianismo, acaba se tornando seu conselheiro e é profundamente afetado pela complexidade e a força da rainha. A narrativa de Agualusa entrelaça fatos históricos com ficção, explorando a personalidade multifacetada de Ginga, seus métodos de governo, suas táticas de guerra, e seu papel nas intrincadas relações de poder da época. Ginga é retratada como uma mulher ferozmente independente, que desafiou tanto os invasores europeus quanto as normas sociais e de gênero de sua época. Eu fiquei fascinada pela história da Ginga e confesso que me frustrava quando o narrador se desviada da figura central para focar em sua jornada de auto descoberta, romances e aventuras. Achei a narrativa ágil e envolvente, sendo uma história repleta de acontecimentos. Gosto que mescla a história da Angola com o Brasil, mas não se engane pelo título, a Rainha ginga não é a protagonista do livro, ela funcionam quase como uma figura mítica que ronda a vida do padre. De maneira geral, eu recomendo o livro e abaixo deixo algumas frases icônicas desta obra: "Liberdade é viver sem o peso de uma cadeia de ferro ao pescoço." p. 77 "o que para uns é um diamante, para outros não passa de uma pedra um pouco mais luminosa e um pouco mais tenaz." p. 90 "Há mentiras que resgatam e há verdades que escravizam." p. 98

    18 curtidas

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    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas5%
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    José Eduardo Agualusa profile picture

    José Eduardo Agualusa

    Agualusa é um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade. Nascido em Angola, mudou-se ainda jovem para Portugal, para estudar agronomia e silvicultura. Acabou alterando a sua carreira para o jornalismo, passando a colaborar para vários jornais, entre eles o <i>Público</i>. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance <i>Teoria geral do esquecimento</i>. É autor de romances, contos, novelas, livros infantis e peças de teatro. Sua estreia ocorreu, em 1988, com <i>A conjura</i>, romance que lhe valeu o Prêmio Sonangol Revelação de Literatura de Angola. Seus livros percorrem muitas realidades, mas estão mais centrados em personagens do que em lugares. Alguns deles são baseados em figuras reais como a poetisa Lídia do Carmo Ferreira (<i>Estação das chuvas</i>) e a rainha Ana de Sousa (<i>A rainha Ginga</i>). Também publicou <i>Nação crioula</i>, vencedor do Grande Prêmio de Literatura RTP, <i>Fronteiras perdidas, Barroco tropical</i>, e <i>O vendedor de passados</i>, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal <i>The Independent</i>. Em 2017, venceu o Dublin Literary e, com o prêmio em dinheiro recebido, pretende instalar uma biblioteca pessoal na Ilha de Moçambique, aberta aos habitantes do local. José Eduardo Agualusa acredita que os livros são um território de pensamento e a literatura é um exercício permanente de colocar-se na pele do outro.

    52 Livros
    151 Seguidores

    José Eduardo Agualusa