José Eduardo Agualusa é um escritor angolano nascido em 1960, conhecido por sua prosa rica e envolvente, que frequentemente aborda a história e cultura de Angola. Formado em agronomia e silvicultura, Agualusa rapidamente se destacou no mundo literário, ganhando diversos prêmios internacionais. A Rainha Ginga foi publicado pela primeira vez em 2014 e neste ano ganha uma nova e bela edição do sele Tusquets, da Ed. Planeta.
O romance histórico "A Rainha Ginga" se passa no século XVII e é centrado na figura histórica de Ana de Sousa, conhecida como Rainha Ginga (ou Nzinga Mbande), uma das figuras mais emblemáticas da resistência africana contra a colonização europeia. Ginga foi uma líder carismática e estratégica do Reino de Ndongo e Matamba, na região que hoje corresponde a Angola, conhecida por sua astúcia política e habilidades militares. O livro retrata não apenas a vida de Ginga, mas também o contexto das guerras, alianças e tensões entre os reinos africanos e os colonizadores portugueses.
Resumo do Enredo
Apesar do título do livro, este romance é, na verdade, narrado por um padre italiano fictício, Francisco José da Santa Cruz, que acompanha de perto a trajetória de Ginga. O padre, incumbido de convertê-la ao cristianismo, acaba se tornando seu conselheiro e é profundamente afetado pela complexidade e a força da rainha. A narrativa de Agualusa entrelaça fatos históricos com ficção, explorando a personalidade multifacetada de Ginga, seus métodos de governo, suas táticas de guerra, e seu papel nas intrincadas relações de poder da época. Ginga é retratada como uma mulher ferozmente independente, que desafiou tanto os invasores europeus quanto as normas sociais e de gênero de sua época.
Eu fiquei fascinada pela história da Ginga e confesso que me frustrava quando o narrador se desviada da figura central para focar em sua jornada de auto descoberta, romances e aventuras. Achei a narrativa ágil e envolvente, sendo uma história repleta de acontecimentos. Gosto que mescla a história da Angola com o Brasil, mas não se engane pelo título, a Rainha ginga não é a protagonista do livro, ela funcionam quase como uma figura mítica que ronda a vida do padre.
De maneira geral, eu recomendo o livro e abaixo deixo algumas frases icônicas desta obra:
"Liberdade é viver sem o peso de uma cadeia
de ferro ao pescoço." p. 77
"o que para uns é um diamante, para outros não passa de uma pedra um pouco mais luminosa e um pouco mais tenaz." p. 90
"Há mentiras que resgatam e há verdades que escravizam." p. 98