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    Bobby Fischer Goes to War - How a Lone American Star Defeated the Soviet Chess Machine

    David Edmonds, John Eidinow

    Faber & Faber
    2011
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-10: 0060510250
    5
    2 avaliações
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    Favoritos0Desejados4Avaliaram2
    Resenhas (1)Ver mais
    gabriel picture
    gabriel21/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Detalhado livro-reportagem sobre xadrez e guerra fria

    Gostei bastante do livro, o nível de detalhe é simplesmente absurdo, os autores entraram a fundo no tema proposto. Trata-se de uma extensa reportagem sobre a disputa pelo título mundial de xadrez de 1972, envolvendo Bobby Fischer (EUA) e Boris Spassky (URSS). Esta disputa simbolizou, portanto, uma espécie de "microcosmos" da Guerra Fria na época, o que até hoje captura o imaginário popular. Os autores conseguiram explorar bem o assunto e indicar até onde esta Guerra Fria era real ou imaginária, sem no entanto dar respostas definitivas. É um livro muito mais sobre o xadrez em si do que sobre política, no entanto. Ela entra, contextualizando o assunto, mas é um livro mais centrado na disputa pelo título mundial, com seus dados e curiosidades, bastidores etc. O estilo de escrita é jornalístico, fluido e gostoso de ler. O livro jamais entra em grandes tecnicalidades em relação ao esporte, e pode ser lido tranquilamente tanto por entusiastas como por leigos em xadrez. Acusações de fraudes de ambos os lados, chiliques dos jogadores, as relações entre Spassky e a burocracia soviética, e um leve (e onipresente) "americanismo" dos autores (que não chega a ferir de morte o livro), são fatores presentes. Apesar da tendência em beneficiar o lado americano, os autores foram equilibrados, e mostraram também o lado soviético. Há muitos depoimentos e entrevistas com personagens envolvidos na época, o que adiciona credibilidade ao livro. O próprio Spassky acrescenta depoimentos; só é uma pena que o Bobby não o tenha feito, mas aí é perdoável, ele era um dos caras mais inacessíveis do planeta (o fato de ele ter falecido em 2008 também não ajuda). Algumas histórias são ótimas, porém anedóticas. Destaco a história envolvendo Paul Morphy, o primeiro mestre americano de xadrez do século XIX. Diz o livro que ele morreu insano, rodeado por sapatos femininos, afogado numa banheira. A história era ótima demais para ser verdade. O historiador de xadrez Edward Winter desmente o boato, e ao que tudo indica, foi uma história falsa. Porém me parece perdoável, pois é uma história repetida em diversas fontes (e não essencial ao tema do livro). Gostei também das partes que analisam o psicológico dos jogadores, tanto de Bobby quanto de Spassky. As análises são profundas e factíveis, apoiadas em dados e depoimentos; porém altamente especulativas. O jogador americano é comparado a um louco que dirige na contramão, numa tática de "tudo ou nada". Spassky era um gentleman que não aguentava mais a interferência soviética na sua vida, o que também o afetou. O final da disputa é conhecido, mas caso o leitor não o conheça, vai aproveitar ainda mais a história. O livro está em inglês, não consegui verificar se há tradução para o português. Acredito, no entanto, que haja edição em espanhol. A leitura, no entanto, é razoavelmente tranquila para quem está acostumado com a língua. (Editado: na verdade, existe uma tradução portuguesa, sob o título "A Guerra de Bobby Fischer", pela editora Temas & Debates). Um pequeno glossário ao final dá algumas informações elementares sobre o xadrez, e pode ser lido antes do livro. Sua leitura, no entanto, não é obrigatória. Um livro ótimo, o esforço de reportagem é exemplar e é um trabalho muito amplo, o resultado de uma pesquisa de anos. É um livro indispensável para amantes do xadrez ou qualquer um que tenha curiosidade sobre o assunto. Bobby Fischer é, até hoje, um dos personagens mais interessantes do esporte mundial. O xadrez segue fascinando e provocando, e este livro captura um dos seus maiores momentos.

    9 curtidas

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