"O livro Guerra Amazônica faz denúncias sérias, como dos presos que eram levados para “interrogatórios” de barco, à noite, para a Ilha de Cotijuba. Em outro momento relata com detalhes o assassinato de um “colunável” local que usava sua empresa de câmbio e turismo como fachada para o seu principal negócio: a cobertura do narcotráfico internacional, onde intermediou, em 1991, a “passagem de 100 milhões de dólares em cocaína para os Estados Unidos.
Lúcio desvenda o mundo social da classe dominante local, um mundo aparentemente limpo que ocultava (e oculta) o submundo delinqüente, com tentáculos subindo aos patamares do poder e da chamada alta sociedade. Isso foi noticiado em uma época em que pouco se falava de lavagem de dinheiro nesse rendoso e próspero comércio ilegal de cocaína, cuja rota principal, como se sabe, passa hoje pela Amazônia.
O livro, também, torna evidente, através dos dados que oferecidos, como se dá na vida real a relação entre o “Brasil legal”, que a grande imprensa, na maioria das vezes, esconde, e o “Brasil real”, esse que se constrói nos bastidores das grandes negociatas, na delinqüência, onde o público e o privado se mesclam nesse submundo que movimenta bilhões de dólares e alimenta uma parcela da elite dominante local nas suas relações simbióticas com grandes grupos nacionais e internacionais."
BENEDITO JOSÉ DE CARVALHO FILHO
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