O livro de Tatiana Salem Levy, que comprei apenas pelo preço extremamente baixo e por vontade me aventurar por algo que eu não conhecia previamente, conta a história de Ana, uma escritora que após descobrir ter AIDS se vê diante das memórias de toda sua vida e se refugia no sítio de uma amiga para começar a escrever um romance. O romance que ela decide escrever é sobre sua família, ou melhor, sobre uma maldição de uma escrava que ditava que cinco gerações de mulheres da sua família seriam infelizes no amor, e Ana é a última geração que a maldição alcançará. No sítio, ela não se vê isolada, mas em companhia da caseira e de sua filha, e de um artista plástico que também se refugia ali e por quem ela se apaixona. A história intercala capítulos narrando o presente da vida da Ana, partes do livro que ela está escrevendo que conta a história de como a Escrava morreu e o porque ela amaldiçoou sua família, e outros capítulos contando as memórias da infância e adolescência da protagonista. A história que começa bem, segue morna e acaba de um jeito muito ruim.
Uma das coisas que mais me incomodaram nesse livro é o clichê da história de um escritor no dilema de escrever um livro. A própria autora denuncia esse fato na página 139, quando a escritora protagonista revela ao artista plástico que quer escrever um livro sobre a história dos dois e ele responde " existem centenas de romances iguais a esse
Essa história já foi escrita. Eu, se fosse você, continuava a escrever sobre a fazenda de café". Tá certo que depois tem uma explicação do porque essas palavras saíram da boca dele, mas essas palavras são extremamente verdadeiras. Esse livro já foi escrito, a história já foi mascada.
As partes da memória da infância de Ana são bem interessantes e marcadas por um sentimentalismo um pouco mais profundo, mas os capítulos que narram o presente são extremamente mornos e arrastados em alguns pontos. As partes que contam o passado na fazenda de café, séculos atrás, é narrado pela escrava que já morreu e o tom desses capítulos não é lá muito bacana, meio artificial talvez.
Os personagens também não convencem, não houve empatia, e o nome do livro é simplesmente o nome do sítio, não remete à história propriamente dita , à essência do texto. Sinceramente, não sei o que essa história vai deixar em mim, acredito ser um livro totalmente esquecível.
E só recebeu duas estrelas porque, apesar de tudo, vê-se que a escritora tem talento, só comeu mosca do início ao fim dessas páginas. A escrita é diferente, nunca tinha lido um texto em que as falas estavam embutidas nos parágrafos, no meio da narrativa, se mesclando à voz do/a narrador/a.
Uma pena que não rolou, a cada livro ruim lido, desperdiçamos o tempo que poderíamos usar para ler um livro bom. Mas só sabemos que um livro é ruim depois de o ler. Que "trem" doido.