A história da humanidade é marcada pelo recorrente surgimento de modelos utópicos de convívio social. As condições de existência, nunca completamente satisfatórias, fazem nascer ora a nostalgia, ora o projeto de um mundo justo, harmônico e feliz. Porém, entre o sonho da sociedade perfeita e sua hipotética concretização impõe-se uma questão fundamental: quais os caminhos que levariam o ser humano a conhecer os valores que devem prevalecer numa Idade de Ouro, regida pela concórdia universal? A esta pergunta, inúmeras tem sido as respostas. Em Limites da Utopia, Isaiah Berlin rastreia, com o rigor e o brilhantismo que caracterizam seu trabalho, a história de correntes de pensamento europeias que procuraram, de formas variadas e não raro conflitantes, propor e refutar roteiros para se atingir a Cidade Ideal. Os oito ensaios reunidos neste livro cumprem a importante tarefa de revelar os pressupostos - muitas vezes escamoteados - que sustentam diferentes modos de conceber o homem, a natureza e a coletividade. Enfocando especialmente os séculos XVIII e XIX, mas recuando e avançando no tempo em busca de origens e consequências, Isaiah Berlin flagra o embate entre duas tendências marcantes do pensamento ocidental. De um lado, a crença em soluções únicas, definitivas e universais para os problemas morais e políticos que afligem a humanidade. De outro, as forças anti-racionalistas, que colocam em xeque a existência de verdades absolutas e derradeiras, válidas para todos os homens, em qualquer tempo ou lugar. A partir dessas duas matrizes ideológicas, Limites da Utopia constrói uma consciente análise do papel desempenhado por pensadores como Hume, Herder, Vico, Voltaire, Rousseau, Kant, Joseph De Maistre, Marx, entre muitos outros, todos essenciais para a compreensão de ideias que, favorecendo ou restringindo, acabaram por influir em eventos históricos contemporâneos como o fascismo e os conflitos nacionalistas destes últimos anos. Assim, num compromisso com os valores essenciais de liberdade e pluralismo político e cultural, Isaiah Berlin aponta os riscos de transformarem bem-intencionadas utopias em instrumentos de tirania e desumanização.


