Um dia pensei em escrever. Escrevi como um menino começa a escrever um dia e as palavras pareceram-me então sem sentido. E por muito tempo assim permaneceram. Com receio do que outros pudessem dizer, assim como nem querendo acreditar que estas pudessem a mim mesmo significar algo, apenas as escrevia, guardava-as por algum tempo e ao lixo eram endereçadas. Mas o tempo passou e, amadurecido por este mesmo tempo, mas indelevelmente rejuvenescido por sentimentos sinceros e, às vezes nem tanto, pretensamente, permiti-me acreditar. Acreditei tanto que crônicas, contos e até poemas e poesias começaram a aflorar-me de forma contínua e até mesmo como êxtase, aliviando-me em momentos de solidão, agonia, melancolia, tristeza e, porque não também, homeopáticos momentos de felicidade. Assim revigorou-me também a vontade de ler. Li tantos quantos foram os livros que outrora me pareciam inócuos e sem sentido, como que querendo olhar novamente um quadro abstrato e que nada significaria a seu autor. Mas como “nada ocorre por acaso”, continuei pensando em escrever e continuei escrevendo, escrevendo, escrevendo... Eis-me então em metades. Metades vividas, metades sentidas. Metades óbvias ou não. Metaforicamente, metades. “PORQUE METADE DE MIM TODOS CONHECEM. A OUTRA, NEM EU”
