Ignorar os filhos, chantageá-los, explorá-los ou ter atitudes cruéis é ser um pai tóxico. A autora ensina, com a colaboração do jornalista Craig Buck, atitudes que podem levar a superar a interferência sufocante e recuperar a liberdade de viver.
Pais Tóxicos - Como superar a interferência sufocante e recuperar a liberdade de viver
Susan Forward, Craig Buck
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Ver maisSe você não é filho de chocadeira, chorará!
O livro é incômodo. Pois, com função de espelho, te coloca frente à frente com aquilo que não gostaria de enxergar: a criança ferida dentro de você. Independente de que forma e com que intensidade foi machucado entrará em contato com aqueles nós da alma difíceis de desatar. Por melhor que os pais sejam, nos ferirão de alguma forma, porque também são, em primeira instância, crianças que foram, em algum grau, descuidadas ou maltratadas. Ok! Mas o destaque da autora é para aqueles pais que talvez tenham sido feridos de tal forma que tiveram seu caráter e personalidades corrompidos distratando seus filhos de formas inadmissíveis (pais tóxicos). A autora narra histórias emocionantes de pessoas vítimas de pais inacreditavelmente incapazes de exercer o cuidado de forma saudável e respeitosa, roubando não apenas a infância, mas, em consequência, toda a vitalidade de seus filhos. Somos conduzidos a uma profunda reflexão sobre a vulnerabilidade infantil e sobre a necessidade de darmos visibilidade a estas situações, ainda que seja anos após o acontecido, ainda que o pai/mãe já esteja a sete palmos do chão. Em meio a histórias dilacerantes, suas intervenções curativas vão concedendo o alento para vítimas de violência, sejam elas os personagens do livro ou o próprio leitor. Os resultados positivos alcançados ao longo dos tratamentos descritos encantam e indicam, de forma enfática, que o caminho mais viável é lamber as feridas (e não ignorá-las). Considero, o livro, um manual muito bem escrito para reconstrução de vidas. Pasmem, começa questionando o perdão como um objetivo, podendo até ser considerado um possível fim, mas não o meio para se alcançar a cura. Para a autora, o perdão, ao contrário do que se espera, pode impedir a responsabilização do autor da violência e a vivência plena da raiva contida. Neste sentido, é necessário responsabilizar, sentir a raiva (liberar o vulcão), confrontar o agressor, desemanranhar e, com os avanços alcançados, interromper o ciclo da violência intergeracional. No fechamento do livro, relata que vencemos a batalha abandonando a luta. Para tanto, precisamos cuidar da criança (que está aprisionada por sua obstinação em conquistar o afeto, perdão e/ou reconhecimento dos pais geralmente insensíveis a estas demandas). E, em sequência, fortalecer o adulto, que precisa acreditar ter pernas fortes o suficiente para caminhar sobre elas ou, quem sabe, até mesmo dançar a valsa da superação. Em relações parentais minimante salutares, crescer implicará na construção de uma nova relação. Com pais tóxicos isso pode significar o rompimento, pois o contrato era se manter criança, dependente e cego para a verdade. Às vezes, será necessário abrir mão do poço vazio. Diminuir as expectativas por meio do contato com a realidade. Em suma, na alquimia da autora, deixar de expectar, aumentará nossa capacidade de esperançar. Leria de novo, mas somente na presença do meu terapeura.
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