O ódio à Democracia - Uma defesa veemente do princípio democrático contra a repressão neoconservadora.

    Jacques Rancière

    Boitempo
    2005
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9781844673865
    Português Brasileiro

    O que é democracia? Países que usam tropas para defender o sistema são de fato democráticos? Neste ambicioso ensaio, ao longo de mais de 100 páginas, Jacques Rancière disserta sobre questões centrais sobre o conceito de democracia e como ele é praticado nos dias atuais. Colocando em xeque políticas liberais que dizem defender esta forma de governo usando poderio militar, Rancière argumenta que há uma deturpação do ideal democrático e que o atual sistema – usado, muitas vezes, como argumento contra governos totalitários –, na verdade, é guiado por uma classe dominante que não o deixa existir plenamente. Em uma análise atemporal, o autor examina as formas pelas quais justificativas a favor da democracia são usadas contra o próprio sistema, além das contrariedades dos principais países e forças capitalistas. Nações autoproclamadas democráticas querem supostamente levar o sistema para outras regiões e, para isso, invadem e obrigam esses lugares a seguir suas regras. Dessa forma, esses países “espalham a democracia” de forma violenta, enquanto vendem uma imagem democrática dentro de seu próprio território (apesar de, muitas vezes, reprimirem lutas sociais dentro dele mesmo). Rancière também fala sobre o que ele acredita ser uma obsessão pelo “individualismo democrático” presente na sociedade há décadas. Para o autor, esse conceito é parte do chamado ódio à democracia, um conceito que, segundo o autor, é tão antigo quanto a própria ideia de democracia. Ele discorre sobre a relação entre este sentimento e a racionalização da “infinitude de desejos individuais” como um sintoma do excesso do que hoje conhecemos por democracia. Em O ódio à democracia, Jacques Rancière descreve a complexa relação entre democracia, política, república e representação, buscando encontrar um sentido diante da contraditoriedade entre a idealização do conceito democrático e a dura realidade que vivenciamos.

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    Geisiane Lima Oliveira 10/05/2017Resenhou um livro
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    O novo ódio à Democracia

    Jacques Rancière. Filósofo francês, nascido em 10 de junho de 1940, lança no que concerne à sua mais recente obra, “O ódio à democracia”, objeto desta resenha. Rancière considera que vivemos em sociedades que se denominam democráticas, em oposição a sociedades governadas por Estados sem lei ou por lei religiosa. Entretanto, o que significa vivermos em democracias? Quais os sentidos atribuídos à democracia e quais as resistências a ela? Quais as razões que geram o ódio à democracia? O autor não somente explica o que seria o ódio à democracia em meio a sociedades democráticas da atualidade, como também a democracia do passado, sua expansão através das forças armadas, sua ligação ao homem burguês e a situação paradoxal, onde o autor critica o individualismo desencadeado pelo sistema democrático, onde é colocada como uma coisa boa para a elite, mas torna-se um desastre se toda a civilização tem acesso a ela. “O ódio à democracia não é novidade, é tão velho quanto à democracia, e por uma razão muito simples: a própria palavra é a expressão de um ódio. Foi primeiro um insulto inventado na Grécia Antiga por aqueles que viam a ruína de toda ordem legitima no inominável governo de multidão. Continuou como sinônimo de abominação para todo os que acreditavam que o poder cabia de direito aos que a ele eram destinados por Nascimento ou eleito pela sua competência. (p. 8)” Mas o foco do livro é o novo ódio à democracia, e o objetivo é explica-lo começando pelas criticas que serão feitas a América e seus métodos de espalhar sua democracia pelo mundo através das forças armadas. Resumido, o novo ódio a democracia pode ser explicada então em uma tese simples: só existe uma democracia boa, a que reprime a catástrofe da civilização democrática, o desejo de que todos sejam iguais, e que todas as diferenças sejam respeitadas. O autor revela o paradoxo que é a democracia, onde existem dois adversários. E também a crise do governo democrático, uma consequência da intensidade da vida democrática, através de dois aspectos, e um identificava-se com o principio anarquista, que afirmava o poder do povo. No primeiro capitulo fala-se da relação do nazismo a dominação democrática. Jacques trás a perspectiva de outros autores ao analisar totalitarismo e democracia como não sendo tão opostos. E a relação do nazismo a dominação democrática. Existem bases que confirmam que a democracia Europeia nasce do genocídio, isso porque democracia e judeus estão em oposições radicais. As tendências criminosas da Europa democrática seriam: pedir paz no Oriente Médio para solucionar o conflito israelo-palestino, e como solução para isso, eles exterminavam os judeus na Europa. Existe também uma contradição no trinfo da democracia, trazido de fora pela força aramadas. Existam aqueles que viam a democracia como o governo do povo por ele mesmo e, quando se levava a democracia para um país, não somente os benefícios lhe acompanhavam como também a burguesia. A democracia era vista como uma ascensão do autoritarismo caso não houvesse limites. Mas ao se opor ao seu inimigo que seria o governo autoritário, ditador, ele tornava-se exatamente aquele que controla um mal que se chama vida democrática. Outro ponto a ser discutido no livro é o fato de que essa vida democrática é o que provoca a crise do governo, já que ela afirma o poder do povo. Percebe-se que o totalitarismo e a democracia não têm tanta diferença e como ela foi introduzida forçadamente em outros países. O desmoronamento do império Soviético foi vista como uma vitória da democracia sobre o totalitarismo. O direito formal é construído a partir dai e tornam-se o primeiro alvo das criticas marxismo, tronando-se sinônimos o homem egoísta da sociedade democrática, e o homem egoísta da sociedade burguês. O homem egoísta no entendimento de Marx eram os detentores do meio de produção. O livro faz uma ligação das roupagens do homem egoísta chegando à mesma conclusão de Marx, quando comparam os detentores do meio de produção, os “indivíduos egoístas” por, “homens democráticos” ou “consumidores ávidos” (na perspectivada da sabedoria contemporânea). A democracia na teoria é o regime da igualdade, mas no que se refere aos direitos de mercado dos homens egoístas/indivíduo democrático. E assim identifica-se a igualdade democrática como a troca igual da prestação mercantil. O individualismo democrático, também será um dos pontos tratado pelo autor, através da preceptiva de alguns sociólogos e filósofos, onde a individualidade é colocada como uma coisa boa somente para a elite. Um governo democrático reafirma o poder do povo, nesse caso existe um principio anárquico explicado pelo autor como “vida democrática”, fundamentado na ausência de títulos para governar. Mas a democracia ateniense usava o sorteio, anulando a necessidade de titulo (interrompe a lógica tradicional segundo a qual comunidades são governadas por aqueles que têm títulos) criando a ilusão da “vida democrática” já que o povo tinha direito ao voto. Essa democracia direta, não se compara com a democracia representativa atual. E a mudança vista como necessária é criticada pelo autor, que explica a falácia da explicação de que nossa sociedade moderna somente a democracia representativa convém devido crescimento populacional. Democracia e representação em uma única linha são algo incoerente. O que chamamos de “democracia representativa” é a forma de funcionamento do Estado, fundamentado incialmente no privilegio das elites “naturais” (como por exemplo um regime monárquico, onde o poder é naturalmente passado para o filho do rei), e desviada aos poucos de sua função pelas lutas democráticas. O poder do eleito “natural” por titulo ou ascendências não existiria mais, porém o sorteio para eleger um representante faria com que o poder ainda permanecesse nas mãos de um grupo hegemônico, a elite dos eleitos do povo e a elite daqueles que nossas escolas formaram no conhecimento do funcionamento da sociedade. Rancière conclui que não vivemos em democracias, e lista os direitos que temos em Estados oligárquicos, porém lista as vantagens desse tipo do Estado dito democrático, mas também seus limites. Como por exemplo, as eleições livres, mas essa eleição acaba garantindo o poder nas mãos da classe hegemônica. A administração não é corrompida, exceto na questão os contratos. A liberdade dos indivíduos é respeitada, mas à custa de notáveis exceções. A imprensa é livre, mas sem ajuda das potencias financeiras, não terá sucesso. Como dito anteriormente só existe uma democracia boa, a que reprime a catástrofe da civilização democrática. Por fim percebe-se que atualmente vivemos em uma dita democracia onde as conquistadas de direitos foram promovidas pela ação democrática, mas a oligarquia desvia as paixões democráticas para os prazeres privados e as tornas insensíveis ao bem comum. O fenômeno oposto desse egoísmo é a paixão democrática, que incomoda os “candidatos de governo”, pois o desejo desencadeia a ideia de que a politica vai além de uma escolha entre oligarcas substituíveis. Nesse caso a ideia de que a política vai além as eleições, da escola de um representante. A virtude da escola popular, e a escola de um representante para solucionar os problemas da sociedade, que é assunto para o saber especialista, e não para a escolha do povo, é dois sistemas de razoes opostas, o autor sempre reafirma a contradição dos Estados democráticos e sua forma de agir, de forma paradoxal. As queixas usuais sobre a democracia ingovernável torna-se a forma de legitimar a necessidade de reprime a catástrofe da civilização democrática. Por fim, percebe-se que Rancière traz uma critica a democracia representativa, a forma como ela foi expandida deixando um rastro de morte, as contradições dentro dos Estados democráticos, onde a igualdade democrática se estende a troca igual da prestação mercantil, e a forma de desviar as energias politicas excessivas, contidas na ação democrática para a busca da propriedade material (para Marx esse seria os detentores da propriedade privada) e esse desvio tinha um efeito duplo, que era tornar os cidadãos indiferentes ao bem publico (o que contraria um Estado real de Democracia).

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