Descartes e a dúvida metódica
Em determinado momento de sua vida, Descartes percebeu que todo conhecimento existente estava fundamentado em alicerces pouco evidentes. Por isso, ele iniciou a construção de um método que pudesse formular novos princípios, sob os quais em conhecimento claro e evidente se apoiasse. Mas para isso, esse método deveria ser criterioso, de forma que dele só se retirasse conhecimento sólidos. Para Franklin Leopoldo Silva “Descartes opera uma inversão radical das perspectivas metódicas”(p.12). Essa inversão consiste em abandonar a ordem das matérias, método aristotélico de classificação, e adotar seu novo método: a ordem das razões. Na ordem das razões, a dúvida exerce um papel primordial, tendo em vista que ela é a condição inicial da reconstrução do saber. Descartes coloca como princípio que “ o menor motivo de dúvida que eu encontrar bastará para me levar a refutá-la” (Primeiras Meditações) A partir desse princípio, ele estabelece que tanto os sentidos quanto os sonhos não eliminam a dúvida. Aqueles, por sua característica de constante mudança, enganam o entendimento. Já os sonhos não fornecem nenhuma representação clara e evidente. Dessa forma, só uma dúvida que fosse metódica poderia nos levar a estabelecer verdades claras e evidentes, relacionando o próprio método com a aquisição da evidência.
