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    O dia em que Getúlio matou Allende e outras novelas do poder -

    Flávio Tavares

    L&PM
    2014
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788525431523
    Português Brasileiro
    4
    6 avaliações
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    Um encontro casual do jovem estudante Flávio com Salvador Allende, na China em 1954, logo após o suicídio de Getúlio Vargas, é um dos casos de 'O dia em que Getúlio matou Allende. Nele, a História recente do poder é contada na sua realidade crua e irônica, na forma de novelas do dia-a-dia, sem a solene fantasia da política. A face oculta da vida pública aparece com suas intimidades, falcatruas, dramas ou alegrias e a relação homem-mulher (escondida pelos biombos do poder) surge como parte da política. Flávio Tavares conta as profundezas do que viveu, viu e ouviu como jornalista político, nos centros do poder, durante os anos 50 e 60, e os personagens surgem nus, com a alma e as entranhas à vista. As histórias íntimas de Getúlio marcam o itinerário do suicídio.

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    Sanhaço picture
    Sanhaço24/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ficamos cara a cara com Vargas, Lott, JK, Jânio e Jango

    A narrativa de novela nos bastidores do poder brasileiro (parte I do livro, que compreende 80% do texto) é envolvente, nos aproximando daquele tempo histórico. O autor nos brinda com uma imersão no dia a dia da política, ou melhor dos indivíduos oficial ou oficiosamente dela encarregados. Não é um livro sobre ativismo e imobilismo de classes sociais e suas frações. Os embates sociais assumem, ao contrário, o típico lugar ocupado nas histórias mais tradicionais, o de que se um pano de fundo tremula é devido a qualquer espasmo difuso e inócuo. Não passam batidos elementos racistas e misóginos. Foi preconceito descarado reproduzir o escárnio sem nada acrescentar? Quis fazer uma fotogravura dos padrões de conduta da época sem meter o bedelho? Teria tido a intenção de criar uma ironia que falasse (e talvez até denunciasse) por ela própria? Já a subjetividade, que até então lhe faltara, sobrou em não raros saudosismos. Os grandes discursos, os maiores políticos, os melhores jornalistas… A enxertada ou enxerida parte II se destina a personalidades e lugares estrangeiros e, tal como a parte I, recorre a lembranças de encontros (Che) ou histórias ouvidas de fontes fidedignas. Como não manter um profundo respeito ao Flavio Tavares preso e exilado político? Seu mérito também alcança os fatos aqui narrados nos quais ele próprio esteve envolvido, na condição de jornalista que soube conquistar a simpatia do alto escalão e adentrar nas intimidades do palácio nacional.

    1 curtida

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