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    O Capa-Branca - de funcionário a paciente de um dos maiores hospitais psiquiátricos do Brasil

    Walter Farias, Daniel Navarro Sonim

    Terceiro Nome
    2014
    191 páginas
    6h 22m
    ISBN-13: 9788578161446
    Português Brasileiro
    4.3
    104 avaliações
    Leram161Lendo20Querem349Relendo0Abandonos2Resenhas18
    Favoritos10Desejados349Avaliaram104

    No livro O Capa-Branca, o jornalista Daniel Navarro Sonim reuniu, a partir de manuscritos e entrevistas, as experiências de vida de Walter Farias, ex-funcionário que se transformou em paciente, na década de 1970, do Complexo Psiquiátrico do Juquery, em Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo. Números oficiais dão conta que naquela época o local chegou a abrigar quase o dobro das 9 mil pessoas que tinha condição de comportar. Aprovado no concurso público para atendente de enfermagem, Walter é designado para cuidar de pacientes acamados ou que perambulam, alheios à realidade, pelos corredores das clínicas do Hospital Psiquiátrico. A vida do protagonista de O Capa-Branca começa a tomar outro rumo depois da repentina transferência para o Manicômio Judiciário, onde ele começa a conviver com pacientes que cometeram crimes, alguns deles violentos e com requintes de crueldade. A rotina no manicômio abala sua sanidade e o obriga a abandonar sua capa branca, o jaleco que os funcionários vestiam para trabalhar. Dali em diante, ele é obrigado a se internar. Ao se tornar mais um paciente do Juquery, passa a sentir na pele os horrores daquele lugar. Na visão de Walter Farias, que hoje está aposentado, as pessoas acreditam que ele tenha se tornado esquisito depois da convivência por sete anos com os doentes. “Eu aposto que muita gente nem imagina quais são os verdadeiros limites da loucura. Mas será que a mente humana possui limites?”, desafia Walter.

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    Resenhas (18)Ver mais
    Jefferson Rodrigo picture
    Jefferson Rodrigo19/12/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    No feriado de Corpus Christi de 2007, enquanto assistia ao programa de TV "Casos de Família", apresentado pela Regina Volpato no SBT, Daniel Navarro se deparou com uma história intrigante em meio ao tema "Sou esquisito, e daí?": a família de Walter Faria, um ex-funcionário e, posteriormente, um ex-paciente do hospital Psiquiátrico do Juquery, se queixava de seu comportamento recluso, já que passava boa parte do tempo trancado em seu quarto, escrevendo. Durante o programa, Walter revelou que se dedicava a compor músicas e a escrever as suas memórias como funcionário e como paciente na instituição em que vivera boa parte da vida, ainda que fosse desencorajado por quase todos ao seu redor a fazer isso. Intrigado, Daniel resolveu entrar em contato com Walter. Após algumas conversas iniciais, troca de mensagens e cartas, Daniel sentiu que ali havia uma baita história. E assim, conforme o laço de amizade entre os dois se firmava, resolveu se dedicar cada vez mais a ajudar Walter a organizar e escrever as suas histórias. O resultado é esse fantástico livro, onde o personagem tem a vida transformada não só por aquilo que faz e produz, mas também pela lógica sistemática e desumana de uma instituição criada apenas para descartar e apartar aquilo e aqueles que são indesejáveis pela sociedade. Contratado como atendente de enfermagem para trabalhar no Hospital Psiquiátrico de Juquery, em Franco da Rocha, por meio do concurso público de 1972, Walter não imaginava o que viria pela frente. Levando uma vida normal e pacata, não tinha ideia da dimensão que essa instituição tinha na vida de milhares de pessoas e teria em sua própria vida. Nesse livro, Walter nos conta desde o seu primeiro dia dentro dessa instituição: as tarefas que lhe eram dadas; as técnicas de tratamento; os tipos de pacientes; as duras e degradantes condições do lugar; as torturas que afirmavam ser tratamento; algumas histórias de pacientes e servidores que conviveram com ele. Testemunhamos a absurda transferência de função a que foi submetido: de atendente no hospital psiquiátrico a "carcereiro" no presídio de psicopatas da cidade. Assistimos, com detalhes assustadores, a sua degradação física e psicológica, ao ponto de os seus supervisores sugerirem que ele fosse internado no hospital psiquiátrico da própria instituição para se tratar - e não perder o emprego e sustento da sua família. Ali, e nessa situação, Walter é engolido pelo sistema, sendo, em pouco menos de um mês, dopado, torturado, desfigurado e esquecido. Sem dúvida, é um livro que te prende, tendo uma narração franca, simples. Uma experiência que nos faz perguntar não só sobre o sentido da razão e da racionalidade dos nossos atos, mas o quanto cada um de nós pode vir a ser tragado pelo mundo que criamos e nem percebemos.

    9 curtidas

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