Jeferson Ferreira

    Kazuá
    2014
    50 páginas
    1h 40m
    ISBN-13: 9788566179774
    Português Brasileiro

    Na tribulação há o correr dos fugitivos e a estupefação de quem para. Numa época em que a velocidade da fuga suplanta a perplexidade de quem simplesmente não consegue – nem quer – fugir, os versos de Jeferson Ferreira são como o exercício da deriva, dos situacionistas: mais ainda além, chegando aos instantes inapreensíveis, construindo seu caminho a partir da imobilidade dos desesperados e da desabalada carreira dos que estão em pânico. E aí temos do fragmento (que Novalis imaginava como porcos-espinhos, enigmáticos em sua própria clausura) a suposta objetividade do pequeno poema em prosa. Não como fotografias, como corre hoje, banal, pela sociedade da imagem e da espetacularização, mas como percepções profundas, como o desejo no olhar do comedor de ópio. Anacrônico? Não, ainda mais agudo, porque essa percepção transcende a visão recorrentemente digital à qual nos acostumamos nesses dias, e justamente por isso a ultrapassa por fazer com que vejamos o mundo sob o olhar da descoberta mesmo. O apocalipse é um eterno reescrever de finais que nos colocam no fatal caminho da origem, origem esta supostamente concluída, mas na qual moram os inacabamentos. Estes, que nos colocam entre a tribulação da fuga e o pânico da estupefação de quem para. Porque poesia é intranquilidade. Álisson da Hora.

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    Ana Carolina Barbosa Silva01/09/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Viva a poesia!

    "quero-te poesia simples, sem rumos, espelhos eu te quero em ti tão simples, como vento nos cabelos [...]" Este é o primeiro livro de poemas do amigo @jeff, mestre em literatura francesa pela USP, que tive o prazer de conhecer pelo twitter. O Jeff demonstra em seus poemas uma profunda intimidade com a língua portuguesa: ele brinca com os significados, as formas que as palavras tomam ao longo das páginas e como se combinam ou se desafiam. Devido à sua erudição, seus poemas não são sempre fáceis de serem digeridos e nos levam a uma reflexão posterior, em que somos levados a saborear suas formas e nuances para, no fim, nos deliciarmos com seus significados. Uma referência que achei interessante foi a de Baudelaire e seus poemas em prosa, sobre quem irei pesquisar mais. Muito bom conhecer a poesia brasileira do Jeff e lembrar que a poesia vive! Recomendo!

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