O destino vem do berço? - Desigualdades e Reprodução Social

    Camille Peugny

    Papirus Editora
    2014
    127 páginas
    4h 14m
    ISBN-13: 9788530811327
    Português Brasileiro

    O fato de que todas as crianças tenham acesso à escola garantiria maior igualdade social? O acesso universal à educação seria suficiente para afastar o ciclo de reprodução social, propiciando as condições necessárias para uma sociedade mais justa e igualitária? Fruto de pesquisas recentes sobre os trabalhadores franceses, essa obra ilumina diversos aspectos de nosso desenvolvimento como sociedade. A constatação é inequívoca: a condição socioeconômica familiar ainda representa um fator preponderante no futuro dos filhos. Essa situação induz à desconfiança em relação às instituições e abala os fundamentos da coesão social. Numa época em que a exigência de mobilidade é constantemente reafirmada, é inaceitável que a vida profissional dos indivíduos seja determinada tão cedo. Ao contrário, é preciso multiplicar as possibilidades de igualdade, repensando a formação inicial e sua articulação com uma formação continuada ao longo de toda a vida. O livro conta com prefácio de Marcio Pochmann e uma apresentação escrita por Camille Peugny exclusivamente para essa edição.

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    Joelcio Caires da Silva Ormond03/07/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Reprodução Social

    Neste livro o autor trata do tema da impermeabilidade das classes sociais, argumentando que todo o meio social e as relações dele decorrentes são predefinidos já no nascimento. É esse nascimento que vai determinar a classe social da qual o indivíduo será parte, bem como quais as escolhas que fará (ou os limites para as escolhas que lhe serão permitidas fazer) durante a vida. O autor trata especificamente de questões de educação e trabalho existente na França, abordando o ambiente favorável de crescimento econômico no pós-Segunda Guerra Mundial e como esse ambiente durou 30 anos, período após o qual as chances de ascensão social foram diminuídas, apesar da política de generalização da educação, realizada nos "grandes trinta". Dessa forma, é questionada a visão da educação como solução para todas as mazelas sociais e também o discurso meritocrático a ela subjacente, que é incentivado por uma suposta inexistência de classes sociais ou a "medianização" da sociedade como um todo, fato pelo qual o sucesso ou insucesso de alguém só dependeria do esforço próprio. A questão da meritocracia devia ter sido aprofundada de forma explícita, tendo em vista que foi destinado tópico específico para o tema, apesar de que em todo o livro o autor aborda esse assunto, ainda que implicitamente. Por outro lado, Peugny utiliza-se de muitos dados empíricos sobre a educação francesa que ajudam a enriquecer e corroborar sua linha argumentativa.

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