O Brasil vive uma guerra civil desde o golpe militar de 1964. Agora, os rebeldes legalistas enfrentam os federalistas pró-governo para reestabelecer a ordem. Em 1972, os golpistas lançaram a primeira bomba química sobre a Grande São Paulo, causando meio milhão de mortes, uma onde de doenças genéticas e infertilidade. A detonação pode ter gerado também toda uma geração de jovens superpoderosos.
Pátria Armada
Klebs Junior, Wellington Dias, Nelson Pereira
Guerra Civil no Brasil! Informações em “Pátria Armada”
Encontrada por casado em umas das minhas idas à livraria, a HQ Pátria Armada, hoje, tem destaque na minha coleção e, principalmente, em minhas indicações. Situando aqueles que não sabem do que estou falando, no mês de fevereiro deste ano encontrei uma hq nacional chamada “Pátria Armada”, escrita e desenhada por Klebs Junior. Diante de uma capa tão emblemática, fui pesquisar e tomei um susto ao descobrir que esta publicação foi fruto de um financiamento coletivo e terá mais dois volumes para completar a história. Adianto que já estou na fila de reserva pela continuação. Com uma pegada um pouco diferente do que estou acostumada a ler, fui fisgada pela ideia de uma realidade alternativa em que o golpe militar de 64 não deu tão certo, levando a nação a uma guerra civil. Nem preciso dizer que a revista dá uma aula de localização histórica, mesmo se passando no ano de 1994, depois de 30 anos de guerra, onde tudo foi adaptado para o jeitinho Brasileiro, nossa disputa tem cessar fogo no período do carnaval e em feriados, pois ninguém quer atrapalhar o descanso do trabalhador comum… Isso é sério! É o tipo de coisa que penso acontecer no nosso país. Para aqueles que estão pensando que Pátria Armada é algo militar, digo que estão enganados. O enredo também conta com personagens dotados de poderes, o que é, na verdade, consequência da Bomba Bioquímica soltada no país no começo do conflito. Calma! Sem preocupação, a presença de super humanos não coloca nossa hq em um estilo X-men, pois é feita de forma sutil e natural. O plot principal sempre será o conflito entre os Federalistas (grupo militar que tiraram João Goulart do poder) e os Legalistas (grupo formado por civis e militares que não aceitaram a imposição do golpe). Posso dizer que a história é eletrizante e envolvente, tanto que queria mais páginas… Sai logo numero dois!!! É possível se identificar com algumas discussões, pois não é o fato de que nunca tivemos uma guerra civil que não podemos fazer uso de alguns argumentos para questionar o futuro do Brasil. Neste ponto, dou os parabéns para Klebs por ter bolado um enredo tão espetacular e atual, mesmo a história sendo datada para ter acontecido no ano de 1994. Poderia passar muito tempo comentando e explicando o enredo, e até falando spoiler (que estou doida para comentar), mas vou me segurar e falar da parte de edição. Como já comentei, o roteiro e a ilustração é de Klebs Junior, já a arte-final fica a cargo de Wellington Diaz e Nelson Perreira; as cores foram de responsabilidade de Renne Stefani, Calos Lopez e Marcio Menyz; E por fim, mas não menos importante, as letras foram trabalho de Gisele Tavares. Claro que tenho que dar os parabéns ao Instituto dos Quadrinhos, que abraçou a divulgação da hq. Já que entrei na parte técnica, tenho que dizer que Pátria Armada tem 52 páginas e todas coloridas em papel tipo couchê. O traço do desenho é ótimo e as páginas duplas são um show à parte. No final da revista temos um anexo que mostra algumas notícias de jornais (ensanguentadas) sobre os fatos da guerra, só para situar o leitor, além de um mapa do país e quais os estados estão na mão dos Federalistas e dos Legalistas. Só fazendo um comentário rápido, numa guerra em que todos têm de escolher um lado, o Rio de Janeiro se mantém neutro, dá pra acreditar!? Ai, tinha que comentar isso! Fica a dica desta hq maravilhosa: corre para as bancas, livrarias ou procure na internet onde comprar, mas leiam, pois vale muito a pena.
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