Cujo
Tad Trenton é um garoto de 4 anos e à noite em seu quarto ele vê algo no closet, pois a porta volta a ficar entreaberta sempre que é fechada, além de aparecer um cheiro diferente. Já nos limites da cidade na propriedade dos Camber, temos Cujo, um São Bernardo de 90 quilos que, ao perseguir um coelho, acaba com o focinho dentro de um buraco onde é mordido por um morcego com raiva. O livro é narrado em terceira pessoa e acompanhamos o que acontece com os personagens principais, a linguagem é simples e se mostra um livro bem fluido, ainda mais considerando que seja algo do King que tem uma tendência à prolixidade. O começo é meio travado enquanto apresenta o contexto, mas depois, quando já estava habituado, flui muito melhor. O conceito desse livro, apesar de ter um ar sobrenatural, tende muito mais para os perigos reais e a aflição que os personagens sentem, ao lidar com Cujo, na condição que se encontram. Ficamos apreensivos e até irritados com determinadas ações e quase gritando “vai logo lá”, mas para quem está de fora é fácil perceber. É ótimo quando o livro consegue trazer você pra dentro dele e capaz de nos colocar no lugar dos personagens. King tem o costume de mostrar o caminho de seus personagens como traçados por um destino. Alguns deles chegam a questionar os “ses” de seus atos, como: “se não tivesse dormido tanto, teria sido diferente”. O fato de soar como destino predefinido traz também as coincidências, o diferencial é que isso também é questionado pelos personagens, como as coisas são convenientes para chegar ao ponto que chegou. Mas depois que algo acontece, não é exatamente isso que fazemos? Buscamos as coincidências que levaram até ali? O livro traz a apreensão esperada e foi bem divertida a leitura, além de trazer subtramas interessantes tudo é muito bem construído. Com certeza preferiria encontrar o Beethoven (alguém entendeu a referência?) e ainda tem entrevista do King no final dessa edição. Foto e resenha no meu IG @marlonbsan, quem puder segue lá...










