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    Jeito de matar lagartas -

    Antonio Carlos Viana

    Companhia das Letras
    2015
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788535925517
    Português Brasileiro
    3.8
    206 avaliações
    Leram296Lendo5Querem225Relendo1Abandonos9Resenhas23
    Favoritos23Desejados225Avaliaram206

    Vencedor do prêmio APCA em 2009, Antonio Carlos Viana lança novo livro de contos na comemoração dos quarenta anos de sua carreira literária. Quase seis anos após a publicação de Cine privê, um dos melhores contistas brasileiros da atualidade presenteia o leitor com este marcante Jeito de matar lagartas. Ao narrar histórias do cotidiano aparentemente banais, como uma brincadeira de criança, a venda de um imóvel ou o reencontro de um jovem estudante com a antiga professora, o autor toca em questões fundamentais como o envelhecimento, o sexo (ou a ausência dele) e a solidão. Se em seu livro anterior os protagonistas passam muitas vezes por situações extremas e respondem à altura às vicissitudes da vida, em sua nova obra as personagens são ao mesmo tempo resignadas e inquietas, o que torna o resultado ainda mais surpreendente. Para o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, “a escrita de Antonio Carlos Viana, que acaba de completar quarenta anos de carreira literária, caracteriza-se desde o início pela concisão, uma recusa a qualquer forma de sentimentalismo, sem que isso implique indiferença ou cinismo. O distanciamento do narrador, mesmo quando (como frequentemente ocorre) a história é contada na primeira pessoa, visa acima de tudo garantir a precisão vocabular, a limpidez da sintaxe, e tem o efeito de acentuar a verossimilhança do narrado, até quando a ficcionalidade é evidente.” Ao final da leitura destas narrativas o leitor possivelmente chegará à mesma conclusão que um de seus protagonistas: o mundo se divide “entre os de coração aflito e os de maldade extrema”.

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    Sara Lopes09/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Paixão no Delta

    Não costumo ser linear quando trata-se de contos, da mesma forma que os escolho procuro também sentir esse poder ao adentrar na obra. Viana me chegou como um amante que me dava companhia quando Cortázar não podia se fazer presente. O conheci aos poucos, como quem inicia uma amizade afetuosa desde o primeiro instante, e em pouco tempo ele ganhou espaço. Às vezes me revelou histórias tristes, por vezes engraçadas e algumas tantas intrigantes. A intimidade chegou cedo e logo me mostrou a sua, com quem e como se deitava, sua masturbação, seus desejos, tudo sendo revelado noite após noite, conto após conto. Com o passar dos dias algumas revelações repugnantes foram sendo mostradas e eu não consegui entender como situações tão medonhas podem ser normalizadas tão facilmente pela sociedade. As coisas iam seguindo e o final fazendo-se próximo, posterguei o quanto pude, pois o luto da paixão que se vai sempre fica em mim por um tempo. Fiquei dias sem ler, iniciei Benedetti esperando dele a trégua para o vazio que estava próximo, mas o fim sempre chega e nesse ponto acho que posso dizer que tive sorte. Da mesma forma que ele veio ele se foi. Seu ar cativante me deu um adeus afetuoso que deixou-me com um sorriso de quem lê uma carta de alguém que ama, uma dedicatória singela num livro selecionado e dado não para que você goste, mas com a certeza de que irá gostar pois foi pensando em você que ele foi escolhido. Viana me mostrou que tive sorte ao conhecê-lo e deixou claro que posso encontrá-lo sempre que quiser, pois ainda tem muito para me mostrar. Espero vê-lo em breve num Cine privê mais próximo.

    6 curtidas

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    3.8 / 206
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
    Antonio Carlos Viana profile picture

    Antonio Carlos Viana

    É mestre em teoria literária pela PUC-RS e doutor em literatura comparada pela Universidade de Nice, França. É tradutor e professor universitário aposentado. Suas histórias, desde as primeiras coletâneas — Brincar de Manja e Em Pleno Castigo — são sempre econômicas nas exteriorizações afetivas. Viana não se considera um "escritor regional": suas histórias transcorrem tanto no interior nordestino quanto em Paris, reflexo do período em que escritor estudou literatura comparada na França. Sua temática, sombria em princípio, não resvala, no entanto, só para enredos de infelicidade. O que prevalece é a perplexidade quase calma e a poesia discreta dos que se comunicam com poucas palavras e observações precisas. Recebeu o prêmio APCA 2009 de melhor livro de contos por Cine privê, e em 2015 tornou a ganhar o prêmio APCA pelo livro, "Jeito de Matar Lagartas". Morreu em 14 de outubro de 2016, aos 72 anos, em decorrência de um câncer tipo meloma que atingiu a medula.

    5 Livros
    19 Seguidores
    Sergipe, Brasil

    Antonio Carlos Viana