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    Cultura letrada e cultura oral - no Rio de Janeiro dos vice-reis

    Maria Beatriz Nizza da Silva

    Unesp
    2013
    351 páginas
    11h 42m
    ISBN-13: 9788539304103
    Português Brasileiro
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    Esta minuciosa pesquisa analisa o movimento conhecido como “ilustração luso-brasileira”, enfatizando o período entre 1770 e o desembarque da família real portuguesa no Brasil, em 1808. A autora compara as características da ilustração às do iluminismo na França e na Inglaterra. E demonstra que o tardio movimento luso-brasileiro, diferentemente das correntes que abalaram aqueles países naquele momento histórico, foi promovido pelo Estado, “de cima para baixo”, e disseminado em grande parte pela cultura oral. Sob o comando de vice-reis “ilustrados”, o estado português tratou de transformar as instituições e alavancar a produção de livros no Império com objetivo de estimular o desenvolvimento de sua principal colônia. Tratava-se, porém, de livros específicos para o apoio de estudos técnicos e científicos ou mesmo críticos aos princípios revolucionários franceses, como o Mercúrio Britânico, de J. Mallet du Pan, numa espécie de contrapropaganda. Já as obras que enalteciam tais princípios eram censuradas. Mas os poucos exemplares que alcançavam clandestinamente a colônia, inclusive reproduzidos de forma parcial em folhetos, terminaram por promover a difusão oral dos ideais da Revolução Francesa, ainda que de modo precário. É nesse contexto que a autora situa a relação da ilustração com a cultura oral, esclarecendo que esta não remete a cultura popular, mas sim a cultura letrada verbalizada e, portanto, simplificada. Ao examinar documentos que reproduzem interrogatórios inquisitoriais e de devassas realizadas pelo poder civil à época, ela resgata o caráter central de rumores, da voz pública e da rede de boatos na disseminação de ideias “ilustradas” na colônia naquele período.E enfatiza que o fenômeno cultural da ilustração relaciona-se intimamente com o aumento da produção de livros em Portugal e de sua circulação no Brasil: “As mudanças educacionais promovidas por Pombal só poderiam ter sucesso com o desenvolvimento do livro e da leitura”.

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    Maria Beatriz Nizza da Silva profile picture

    Maria Beatriz Nizza da Silva

    Maria Beatriz Nizza da Silva graduou-se em História e Filosofia na Universidade de Lisboa, cidade em que nasceu. Em 1963, radicou-se no Brasil, lecionando no Departamento de Filosofia da USP, onde doutorou-se em 1967, e depois no Departamento de História da mesma universidade. Aposentou-se em 1990, como professora titular de Teoria e Metodologia da História, sendo convidada por universidades portuguesas para assumir a cátedra de História do Brasil. É autora de vários livros, entre os quais se destacam: Cultura no Brasil Colônia (1981); Sistema de casamento no Brasil colonial (1984), ...

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    Maria Beatriz Nizza da Silva