"Que meu coração seja ferro, e tú o ferreiro,
Que o fogo da coragem me consuma, tal qual um braseiro,
Faz-me forte como o aço, e sólido como o rochedo,
Faz-me senhor da coragem, nunca escravo do medo,
Faz-me senhor do destino, senhor do meu amanhã,
Para a honra do meu deus, do meu rei e do meu clã."
Os Verdadeiros Gigantes é uma história que se passa em Elgalor, um mundo fantástico em que existem homens, anões, elfos, magos, orcs, gigantes de gelo, dragões vermelhos e arautos da destruição.
A história começa com Garren e Drunnan, dois anões, se preparando para uma jornada arriscada para impedir Rodan, um amigo que - guiado pelo espírito do pai - havia saído sozinho em busca de justiça (ou vingança - como você preferir chamar).
O livro retrata as duas jornadas, as dificuldades presentes nelas - frio, escassez de recursos, batalhas com orcs e gigantes de gelo - e também os bons momentos - novas amizades, aprendizado e a força de vontade e coragem típica dos anões. Simultaneamente, retrata Darakar, o reino dos anões, em que uma grande guerra está prestes a eclodir. Guerra, na qual, nossos três amigos terão uma participação fundamental.
Comecei a ler o livro com um certo receio.
Por quê?
Porque o livro tem 150 páginas. Livros de fantasia normalmente tem 400, 800, alguns até passam das 1000 páginas (chega a ser engraçado colocar esse livro ao lado dos meus tijolinhos amados) e eu achava impossível um autor conseguir criar um mundo, desenvolver personagens e uma história em 150 páginas sem deixar buracos ou "correr". O autor me provou que é completamente possível, embora exija uma tremenda habilidade.
A leitura é rápida e prazerosa. A linguagem usada pelo autor é um pouco rebuscada, mas apenas o suficiente para combinar com uma fantasia épica. O leitor é surpreendido diversas vezes com o rumo da história.
A cultura anã é incrivelmente bem construída. Os personagens são encantadores, é impossível não admirar a coragem, força de vontade, lealdade e até heroísmo deles. Mesmo quando algum personagem morre você não fica triste, na verdade, sente orgulho, porque eles fizeram e seu melhor e morreram por uma causa maior.
Merece um destaque especial o ritmo do livro, é muito mais parecido com o ritmo de um conto do que de um livro de fantasia. Em nenhum momento você tem a impressão de que o autor está com pressa, é algo parecido com a diferença entre um filme e uma novela. Eu demorei um pouco para acostumar com o ritmo, mas, no final, foi esse ritmo que fez o livro ser uma revelação tão grande.
Recomendadíssimo. O autor ganhou um lugar na minha lista de favoritos junto com Rothfuss, Martin e Sanderson.